Evo e oposição chegam a acordo para referendo boliviano

Pacto, que foi atingido após presidente boliviano abrir mão de 2014, permitirá votação da nova Constituição

Efe e Reuters,

20 de outubro de 2008 | 17h25

O partido governista Movimento ao Socialismo (MAS, de Evo Morales) e seus opositores anunciaram nesta segunda-feira, 20, um acordo que permitirá aprovar no Congresso Nacional o referendo sobre a nova Constituição do país. O acordo prevê a realização de eleições gerais em dezembro de 2009 e inclui o compromisso de Evo de não concorrer a uma nova reeleição nos próximos pleitos, ou seja, de 2014, informaram senadores governistas e da oposição.   Veja também: Evo vai à frente de marcha pró-referendo Entenda o que está em jogo no referendo Fotos da marcha pró-referendo    Minutos após o anúncio do acordo, que ainda deve ser ratificado pelo Congresso Nacional, o presidente Evo chegou à praça Murillo, onde ficam o Parlamento e a sede do governo, à frente da grande manifestação que exige a convocação do referendo. Evo acompanhou a marcha durante oito horas, em uma das maiores mobilizações conhecidas na Bolívia e que reuniu dezenas de milhares de pessoas em sua chegada a La Paz.   "Para o bem do país, a partir das 4 da tarde (horário local) começará a sessão do Congresso, graças a um acordo entre o governo e a oposição", disse a jornalistas o senador e negociador do governo, Félix Rojas. Ele afirmou ainda que o acordo estabelece que o referendo constitucional aconteça no dia 25 de janeiro.   Rojas acrescentou que o Podemos foi a última legenda a aceitar o pacto. O parlamentar explicou que o acordo significa que Evo só poderá concorrer à reeleição uma vez, que ressaltou o desprendimento do presidente "que não tem interesses pessoais e coloca à frente qualquer outra situação ao país inteiro."   Antes do anúncio do pacto, o presidente boliviano abriu mão de um possível terceiro mandato em troca do apoio da consulta popular. A nova Constituição estabelece a possibilidade de reeleição imediata apenas uma vez. Governistas, porém, não queriam que atual gestão contasse, o que permitiria a Evo concorrer a mais dois mandatos consecutivos.   O acordo incluiria ainda alterações no texto constitucional aprovado pela Assembléia Constituinte em temas como descentralização autônoma, as reformas agrária e judicial, os recursos naturais ou o modelo econômico.   Para o senador da oposição de direita Carlos D'Arlach, o pacto é "um grande avanço", ressaltando a firmeza da oposição, a flexibilidade do governo e "o acompanhamento de grande valor de observadores internacionais."   A nova Constituição daria mais poder aos indígenas, proibirá futuros latifúndios e consolidará o controle estatal sobre a economia. Com altos índices de aprovação ao seu mandato, o presidente boliviano espera ser reeleito para poder continuar seu projeto de governo com uma a Constituição.    Crise   A conflituosa situação abriu caminho a dois processos de diálogo político consecutivos na Bolívia, o primeiro deles entre o governo e os governadores opositores autonomistas, que terminou sem acordos.O segundo cenário de diálogo se abriu no Congresso Nacional com uma comissão integrada pelos quatro partidos com representação parlamentar.   Estas mesas de diálogo foram observadas por vários organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a ONU e a União de Nações Sul-americanas (Unasul), cujos representantes ainda se encontram no país à espera de que se resolva a complexa crise boliviana.

Tudo o que sabemos sobre:
Bolíviareferendo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.