Evo elogia pressão popular ao promulgar referendos

Presidente espera 'com a força do povo' frear demandas regionais e aprovar a nova Constituição

Efe

29 de fevereiro de 2008 | 15h11

O presidente da Bolívia, Evo Morales, elogiou nesta sexta-feira, 29, a pressão "do povo" ao promulgar as leis de convocação aos dois referendos sobre seu projeto constitucional, aprovadas com a rejeição da oposição, enquanto seus partidários cercavam o Congresso. Veja Também:Congresso aprova referendos sobre nova Constituição boliviana   Morales pede aceleração de referendo sobre nova Constituição    "Apenas com a força do povo podemos garantir as transformações profundas, com o povo organizado e mobilizado", declarou Evo durante o ato de promulgação diante de milhares de camponeses, indígenas, cocaleiros e mineiros que se reuniram nesta sexta-feira, 29, também na Praça Murillo, em La Paz. A convocação aos referendos para o dia 4 de maio foi aprovada nesta quinta-feira, 28, pelo governista Movimento Ao Socialismo (MAS) em uma sessão confusa do Congresso, na qual parte da oposição não participou pelo fato de os seguidores de Morales terem cercado o Parlamento durante vários dias. "Quando não se atendem às reivindicações, há protestos", afirmou Evo ao justificar a pressão exercida por seus partidários para que o Congresso aprovasse de uma vez as consultas. A principal aliança opositora, a direitista Poder Democrático e Social (Podemos), e vários líderes regionais tacharam a sessão na qual os referendos foram votados sem que houvesse debate e com a participação de vários senadores suplentes de "ditadura" e "golpe contra a democracia". Uma das consultas permitirá definir se a extensão dos latifúndios ociosos que podem ser expropriados será de cinco mil ou dez mil hectares, um assunto que não foi definido pela Assembléia Constituinte no ano passado. Outro referendo submeterá ao voto o conjunto da proposta da nova Carta Magna, que, segundo a oposição, representa apenas a visão de meio país e foi aprovada ilegalmente pela Assembléia no final do ano passado. Evo também promulgou uma terceira norma aprovada ontem que dá poder exclusivo ao Congresso para convocar referendos departamentais, em uma tentativa de frear a consulta autônoma da rica região opositora de Santa Cruz (leste da Bolívia), que foi fixada por suas autoridades para o mesmo 4 de maio. Para o Governo, este referendo e outro similar convocado pela região de Beni para o dia primeiro de junho não são válidos. "Vamos garantir autonomia, mas com legitimidade e legalidade", afirmou Evo, acrescentando que já tem pronto um projeto de lei para convocar a escolha de conselheiros departamentais para redigirem os estatutos das quatro regiões que reivindicam autonomia. Ameaça Evo Morales, pediu na última sexta-feira, 22, urgência no referendo sobre uma nova Constituição nacional, para frear demandas regionais de autonomia que "poderiam ameaçar seriamente" a unidade do país. O presidente se referiu a um referendo sobre autonomia convocado para maio pelo governador de oposição do rico Estado agrícola e petrolífero de Santa Cruz, e a consultas semelhantes anunciadas em pelo menos outros quatro dos nove Estados bolivianos.

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