Evo fala em 'união' depois de vitória em referendo na Bolívia

Presidente boliviano quer unir Constituição com estatutos autônomos da oposição após ratificar mandato

Marcia Carmo e Claudia Jardim, BBC Brasil

11 de agosto de 2008 | 08h02

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que é possível unir o texto da nova constituição nacional com os estatutos de autonomia da oposição. Evo falou na noite de domingo, 10, da varanda do Palácio presidencial Queimado, em La Paz, diante de uma praça lotada de seguidores, depois da divulgação dos resultados de boca de urna, que indicaram sua ratificação no cargo.   Veja também: Consulta servirá de "norte" para Evo No paupérrimo Chapare, Evo não perde majestade    "A participação do povo, com seu voto, é para unir os diferentes setores do campo e da cidade. E essa união será feita juntando a nova constituição com os estatutos autônomos", disse Evo. No discurso, o líder boliviano reiterou que manterá sua política de "recuperação dos recursos naturais" e de "recuperação das empresas do Estado".   Ele ressaltou que respeitará a "legitimidade" dos prefeitos (equivalentes a governadores) da oposição que também foram ratificados no referendo. Segundo as pesquisas de boca-de-urna, Evo teria sido ratificado no cargo com cerca de 60% dos votos. Na votação, de acordo com os levantamentos, cinco prefeitos foram ratificados e três revogados. Um deles, Manfred Reyes Villa, de Cochabamba, disse que permanecerá no posto e vai trabalhar nesta segunda-feira.   "Fui eleito para ficar até 2009. Não participei desta campanha eleitoral. Para mim, o referendo era ilegal", disse. Pela lei do referendo, caberia a Evo indicar os substitutos dos derrotados ou convocar eleições para estes locais.   Oposição   Em Santa Cruz de la Sierra, reduto da oposição, o prefeito Ruben Costas criticou o governo de Evo em um discurso feito em praça pública após o anúncio dos resultados de boca-de-urna. "Essa votação mostrou que acabou o centralismo no país. O presidente foi derrotado aqui e em outros departamentos", disse Costas.   As pesquisas indicaram que Evo teve forte apoio na região andina, mas o mesmo não ocorreu nos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando - os quatro que votaram pelo estatuto de autonomia política e financeira.   Chávez   Pouco depois da divulgação das pesquisas de boca de urna, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, telefonou para o colega boliviano, conforme comunicado do governo venezuelano. Segundo o texto, Chávez havia reiterado a "intenção do governo bolivariano de continuar acompanhando a revolução democrática e cultural do povo boliviano". "A verdade se impôs diante das campanhas do império com esta gloriosa jornada eleitoral", diz o comunicado.   Além disso, é esperada para os próximos dias uma nova reunião do chamado "grupo de amigos da Bolívia" - que reúne diplomatas do Brasil, da Argentina e da Colômbia. Com apoio da Igreja Católica boliviana, eles têm trabalhado para que governo e oposição iniciem o diálogo - rompido desde as discussões da assembléia constituinte no ano passado.

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