Evo Morales continuará campanha por Prêmio Nobel da Paz

Aliados afirmam que o presidente boliviano 'irá concorrer pelo prêmio nos próximos anos'

EFE,

13 de outubro de 2007 | 16h13

O presidente boliviano, Evo Morales, dará continuidade à campanha em busca do Prêmio Nobel da Paz, segundo funcionários e dirigentes de seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), enquanto a oposição afirma que o chefe de Estado não tem méritos para isso.   A entrega do prêmio ao ex-vice-presidente americano Al Gore e ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU "não significa que (Morales) não concorrerá nos próximos anos; ele vai", anunciou o ministro de Governo (Interior), Alfredo Rada, citado neste sábado, 13, pela imprensa local.   Morales dará continuidade à campanha porque desta primeira vez "obteve uma boa colocação entre os candidatos favoritos", disse Rada.   A Agencia Boliviana de Información (ABI), em mensagem emitida em Estocolmo, afirmou que o prêmio foi concedido a outros, mas que "a candidatura que mereceu simpatia, respeito e prestígio em nível internacional" foi a de Morales.   Após o anúncio dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz, na última sexta-feira, 12, parlamentares e militantes do MAS afirmaram que Evo Morales tem "muitos mais méritos" que Gore para receber a premiação.   O líder da bancada do MAS, Gustavo Torrico, disse à Efe que o prêmio foi concedido ao ex-vice-presidente "do país mais belicista do planeta", o que "causa mais mortes no mundo".   Torrico acrescentou que Gore representa um país "que não faz nada para defender e assinar o Protocolo de Kioto sobre o meio ambiente", o que demonstra que "os valores estão mudando" no mundo, e anunciou que apoiará a nova campanha de Morales.   A candidatura do presidente ao Nobel foi promovida intensamente durante os últimos meses pela imprensa estatal, pelas embaixadas e por outras instâncias oficiais.   O senador governista Gastón Cornejo ressaltou que a candidatura de Gore foi muito trabalhada no "ambiente ecológico", mas que "não tem outro mérito".   O presidente boliviano "questionou o sistema globalizado neoliberal e a Bolsa de Valores", e que sua diferença em relação a Gore é "diametral, universal, cósmica", ressaltou Cornejo.   Segundo ele, a candidatura de Morales não foi "um capricho boliviano", mas iniciativa de dois latino-americanos agraciados com o Nobel da Paz: a guatemalteca Rigoberta Menchú e o argentino Adolfo Pérez Esquivel.   Menchú visitou a Bolívia esta semana a convite de Morales. Na quinta-feira, 11, ela alertou que o "Nobel não tem importância sem a luta dos povos".   O opositor José Antonio Aruquipa, da aliança conservadora Poder Democrático e Social (Podemos), ressaltou à Efe que a candidatura de Morales é "uma prova da idolatria" promovida pelo "oficialismo" sobre sua figura.   "Esperamos que o Governo agora volte seus esforços a levar paz aos bolivianos, dê prioridade à convivência pacífica e deixe de lado a atitude de confronto constante", acrescentou Aruquipa.   A deputada Lourdes Millares, também do Podemos, disse que Morales não tem méritos para receber o Nobel. Seu correligionário Fernando Messmer foi além e afirmou que o presidente boliviano promove uma política "beligerante, confrontativa e violenta, que vai contra todos os princípios da paz".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.