Evo Morales critica Brasil por usar 'terras para combustíveis'

Presidente boliviano ecoa discurso de Hugo Chávez e culpa capitalismo pela crise global e falta de alimentos

Efe,

30 de outubro de 2008 | 18h45

O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez coro nesta quinta-feira, 30, com seu colega venezuelano e aliado Hugo Chávez, ao culpar o capitalismo e "privatizações" pela crise global e por falta de alimentos - sobrando até para o Brasil, por dedicar "terras para combustíveis". Na terça-feira, Chávez disse que é preciso "enterrar o capitalismo", aproveitando a crise global, posição que voltou a manifestar nesta quinta, em um discurso na TV venezuelana.   Veja também: Lula cobra Evo por obras de US$ 600 mi financiadas pelo BNDES   "Sinto que o capitalismo não é a solução, não se trata de salvá-lo", disse Evo, na 18ª Cúpula Ibero-americana, em San Salvador, propondo uma suposta "democratização" da economia mundial, sem explicar o que seria isto. "Quando ganham, 'bem', quando perdem, 'ajudem-me'. Agora é preciso salvá-los às custas dos pobres, explorando o homem e os recursos naturais", acrescentou o boliviano na primeira sessão plenária.   O capitalismo "nos traz crise alimentícia, as privatizações", disse Evo. Quanto ao Brasil, o presidente boliviano bateu quando criticou "que se dediquem terras para combustíveis, como promove o Brasil", mas depois amenizou o discurso dizendo que se trata de um país "pelo qual temos respeito e amizade."   "É necessário deixar de pensar em ganho, e sim em alimentos para o ser humano, produzir para a vida", destacou, ao propor uma "segurança alimentar com soberania". "Estamos obrigados a trabalhar de maneira conjunta. Ao salvar o capitalismo nos equivocaríamos", insistiu.   O governo boliviano, lembrou, decidiu dar créditos isentos de juros aos camponeses e pequenas empresas para produzir alguns alimentos, com resultados "muito importantes", para fortalecer a economia. "É necessário pensar primeiro em garantir alimentos para os povos, o que nos ajudaria a enfrentar uma crise que vem de fora e pode nos trazer muitos problemas", afirmou Evo Morales, admitindo já ter "problemas pelo preço dos minerais e do petróleo."   Evo cumprimentou os presidentes que "seguem com sua mesma linha política revolucionária de juventude", e destacou o trabalho os jovens que "seguem essa batalha permanente no mundo todo". Em referência ao tema principal desta cúpula ibero-americana, "Juventude e Desenvolvimento", Evo afirmou que "nunca mais pode haver analfabetos."

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