Evo Morales dá prazo até domingo para acordo com oposição

Observadores internacionais tentam salvar diálogo na Bolívia depois que a oposição anunciou o fim das conversas

Agências internacionais,

03 de outubro de 2008 | 14h31

O presidente da Bolívia, Evo Morales, fixou para o próximo domingo o prazo para chegar a um acordo com a oposição do país. Observadores internacionais tentavam nesta sexta-feira, 3, salvar as negociações para encerrar a crise política. As conversas foram ameaçadas pela saída dos opositores, que acusam o presidente de violar compromissos prévios. O governador de Beni, Ernesto Suárez, reconheceu que as negociações estavam suspensas, porém não encerradas. Suárez antecipou que os governadores opositores se reunirão durante a jornada "com os organismos internacionais", que buscam encerrar o impasse. As negociações começaram há duas semanas, com a participação de delegados da Organização dos Estados Americanos (OEA), da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e da União Européia. Violentos protestos em setembro em quatro departamentos (Estados) deixaram 15 mortos em Pando, a maioria campesinos partidários de Evo. O governo deteve dois ativistas da oposição, acusando-os de participar de um ataque com dinamites a um gasoduto, que causou a redução por algumas horas da quantidade de gás enviada ao Brasil. Após as prisões, a oposição se retirou da mesa de negociações. Os opositores argumentam que o governo havia prometido não realizar uma "perseguição política" após os protestos. Porém o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, disse que "não se pode negociar as mortes nem os ataques terroristas". Uma reunião estava prevista para o domingo, com a presença de Evo e dos governadores, para firmar um acordo. Após as prisões, porém, a iniciativa ficou em suspenso. O chefe de Estado convocou os governadores a retomarem o diálogo. "O domingo é definitivo, estarei lá no domingo e quero que os governadores estejam", afirmou o presidente depois que as autoridades de Santa Cruz, Beni, Tarija e Chuquisaca decidiram retirar-se das negociações.  As negociações tratam de um projeto de Constituição apoiado por Morales, que inclui a reeleição presidencial, e da demanda por mais autonomia, impulsionada por quatro departamentos liderados por governadores que fazem oposição ao governo central. A oposição rechaça a Carta e o governo rejeita os planos de autonomia.

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