Evo Morales e governadores oposicionistas buscam trégua

Presidente boliviano pede acordo nacional em reunião com governadores para resolver impasse político

TERRY WADE, REUTERS

08 de janeiro de 2008 | 07h34

O presidente boliviano, Evo Morales, e governadores de oposição convocaram uma trégua na segunda-feira, quando começaram negociações para resolver a crise política que abala o país.  "Vamos todos fazer um esforço para um pacto nacional de reconciliação e espero encontrar uma saída para resolver as contradições que estão pondo em risco o país", disse Mario Cossio, governador da Província de Tarija, rica em gás natural. "O país enfrenta um momento institucional crítico." Quatro das nove Províncias bolivianas declararam-se autônomas para proteger o que vêem como sua parte dos fundos provenientes de recursos naturais e para protestar contra uma nova versão da Constituição adotada por aliados de Evo. A comunidade internacional pede aos dois lados para que cheguem a um acordo. Evo adotou um tom mais conciliatório na reunião, após trocar insultos no fim de semana com governadores oposicionistas, durante comícios pró e contra a nova Carta. "Tenho muita confiança de que esta reunião com os governadores dará esperança ao povo boliviano e fortalecerá o desenvolvimento nacional e regional da Bolívia", afirmou o presidente. Segundo a BBC, adversários de Evo acusam o presidente de buscar uma forma ilegal de abocanhar mais poder.  Há cerca de 20 dias, enquanto Evo comemorava, em La Paz, junto às comunidades indígenas e estudantes, a promulgação da nova Constituição, moradores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija realizavam festa nas ruas para marcar o lançamento do texto próprio que seria enviado ao Congresso Nacional. A disputa levou Evo a convocar um referendo, sem data certa, para saber se a população ratifica ou não sua permanência e a dos governadores. "Trégua" Para analistas bolivianos, a reunião desta segunda-feira pode simbolizar uma "trégua" e a reabertura do diálogo, mas não se sabe como a tentativa de entendimento terminará. A nova divisão da Bolívia - tradicionalmente fragmentada política e socialmente - levou, na semana passada, diferentes entidades a assinarem um documento pedindo o entendimento entre as duas partes. Entre os que assinaram o documento destacavam-se a Assembléia Permanente de Direitos Humanos e a Confederação dos Trabalhadores da Imprensa, entre outros. Na carta, eles pediam que os dois lados "flexibilizem" suas posições para "criar um clima favorável" que permita o sucesso do encontro. Nesta mesma linha, o novo comandante das Forças Armadas, general Luís Trigo Antelo, pediu ao presidente para "ceder em alguns temas" no encontro desta segunda-feira. "O presidente nos pediu recomendações e com humildade lhe pedimos que participe deste diálogo e que se trate de sair de forma amigável deste conflito, escutando os governadores, negociando e cedendo em alguns temas", disse o militar, segundo a imprensa boliviana. Os argumentos dos que apóiam esse entendimento são os de que a economia da Bolívia está crescendo como nunca nos últimos 20 anos - apesar do fantasma da inflação - e que é hora de aproveitar a bonança para uma harmonia política. "Conciliadores" Na reunião desta segunda-feira, de acordo com a Agência Boliviana de Informação (ABI, agência oficial), os governadores da oposição foram mais conciliadores que nas semanas anteriores. Os governadores de Santa Cruz de la Sierra, Rubén Costas; de Cochabamba, Manfred Reys Villa; de Pando, Leopoldo Fernández; de Tarija, Mario Cossío; e de Beni, Ernesto Suárez, afirmaram que o corte determinado por Morales nos recursos do chamado IDH para pagamento de benefício a pessoas com mais de 60 anos prejudicará os projetos sociais de seus estados. "No entanto, os governadores reconheceram que a mesa de diálogo (instalada nesta segunda-feira) é o cenário para se analisar todas as possibilidades para uma saída dos problemas conjunturais do país", escreveu a ABI.

Tudo o que sabemos sobre:
BOLIVIAMORALESENCONTRO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.