Evo Morales é reeleito líder dos cocaleiros da Bolívia

Governante já está há 12 anos à frente do Comitê; em discurso, presidente promete recursos

Efe,

19 de fevereiro de 2008 | 02h11

Os sindicatos de produtores de coca da Bolívia reelegeram nesta segunda-feira, 18, o presidente Evo Morales como líder do setor. O atual governante boliviano já está há 12 anos à frente do Comitê Coordenador das Seis Federações do Trópico de Cochabamba, no qual se lançou para o mundo político. O dirigente Julio Salazar disse à agência Efe que a ratificação por mais dois anos de Morales no cargo de presidente do Comitê foi a primeira resolução do congresso de cocaleiros encerrado nesta segunda. Apesar de ter assumido a Presidência da Bolívia em janeiro de 2006, Morales sempre esteve ligado aos sindicatos de cocaleiros da região central do Chapare, nos quais ingressou pela primeira vez como secretário de Esportes, em 1983. Em seu discurso, o líder agradeceu pela confiança depositada nele, e disse que sua reeleição é "um fato histórico" para o movimento sindical e para a política de seu país. Além disso, prometeu dar aos cocaleiros em dois dias entre US$ 200 mil e US$ 300 mil para avançar nos processos de industrialização da coca. A planta é usada na Bolívia com fins medicinais e culturais, embora também seja desviada pelas máfias do narcotráfico para a fabricação de cocaína. Morales destacou que continuará com os programas para "racionalizar" a produção da coca com o controle social dos produtores, mas ratificou que essas plantações "nunca serão completamente eliminadas". Em seu discurso, o líder também criticou o "império", em alusão aos Estados Unidos, e pediu aos sindicatos da Bolívia para que se mantenham organizados "para enfrentar essa potência com sua luta". O congresso dos produtores de coca também resolveu apoiar o projeto de Constituição impulsionado por Morales, e rejeitar com mobilizações os processos autonomistas de quatro das nove regiões do país. Os enfrentamentos entre Morales e os líderes opositores dos departamentos autonomistas de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, e seus aliados de Cochabamba e Chuquisaca, se encontram em uma "trégua" declarada pelas partes perante a necessidade de dar atenção às famílias atingidas pelo fenômeno climático "La Niña".

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