Evo Morales pede apoio para extradição de Sánchez de Lozada

Lozada presidiu a Bolívia de 1993 a 1997 e de 2002 a 2003 e é acusado de genocídio

Efe,

25 de setembro de 2007 | 02h48

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu ao público que ouviu seu discurso nesta segunda-feira, num ato em Nova York, que apóiem a extradição do ex-presidente Sánchez de Lozada, exilado nos Estados Unidos. Morales vai discursar na sessão anual da Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira. "Nesse momento de luta pelas reivindicações dos povos, é importante que vocês aqui nos EUA apóiem a extradição de Gonzalo Sánchez Lozada, para respeitar os direitos humanos e para que Governos democráticos não causem prejuízos a meu país", assinalou Morales. O boliviano foi o convidado de honra de um ato no salão principal do colégio universitário The Cooper Union, na zona sul de Manhattan, com a presença de centenas de estudantes e imigrantes bolivianos. A audiência, de pé, recebeu Morales com fortes aplausos. Um pouco abalado, ele agradeceu pela acolhida e reconheceu que não esperava ver tanto público reunido para ouvir suas palavras. Morales afirmou ainda que a extradição de Sánchez de Lozada, que presidiu a Bolívia de 1993 a 1997 e de 2002 a 2003 e é acusado de genocídio pela morte de 60 pessoas durante os distúrbios de 2003, é um assunto de "enorme preocupação" para seu país. "Um presidente que fez tanto mal à economia do país, que violou os direitos humanos e escapou tão feliz para os EUA não só pode ser extraditado, sobretudo deve ser expulso", afirmou. O líder boliviano falou durante quase uma hora e meia e explicou também a evolução da luta camponesa e indígena em seu país, até a formação do seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS). Também comentou temas atuais, como a Assembléia Constituinte, com a qual pretende "refundar" o país. "Apostamos na Assembléia Constituinte porque queremos uma profunda transformação democrática, pacífica e cultural. Queremos criar o poder do povo", explicou Morales, arrancando aplausos da platéia. Ele acrescentou que a corrupção "é o maior inimigo dos bolivianos" e que seu governo quer "acabar com um histórico de corrupção e de saque dos recursos naturais". Mas ressaltou que ainda há grupos que não aceitam as mudanças. "O objetivo da Assembléia Constituinte é mudar a Bolívia, não é vingança. Não temos mentalidade vingativa, rancorosa. Isso não faz parte do movimento camponês". O presidente boliviano comentou que, depois de mais de 40 anos, em 2006, seu governo conseguiu um superávit fiscal e na balança comercial. Dos US$ 300 milhões que o governo recebia pela exploração de hidrocarbonetos em 2005, passou para US$ 2 bilhões este ano.

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