Evo Morales propõe referendo sobre revogação de mandato

Enquanto isso, 350 pessoas fazem greve de fome contra o governo e oposição realiza denúncias à OEA e ONU

Efe,

06 de dezembro de 2007 | 02h11

O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs nesta quarta-feira, 5, a realização de um referendo para revogar seu próprio mandato e o dos nove governadores do país, a maioria de oposição. Enquanto isso, quase 350 pessoas fazem greve de fome contra o governo. Morales detalhou que nesta quinta-feira enviará um projeto de lei ao Congresso nacional pedindo a "rápida" convocação de um referendo revogatório. Mas não determinou um prazo. "Se o povo me mandar ir embora, não tenho nenhum problema. Sou democrata. O povo dirá quem vai e quem fica para garantir o processo de mudança", disse o presidente, durante uma mensagem à nação no Palacio de Governo, em La Paz. Morales afirmou que seu objetivo com o referendo revogatório é verificar se o povo apóia o "processo de mudança" do seu governo. Na sua opinião, a oposição "conservadora" tenta impedir as reformas no país com denúncias internacionais. "Evo Morales jamais pensou em se perpetuar", disse o chefe de Estado. Ele afirmou que é o povo que, em diversas manifestações, tem expressado seu desejo de que o governo dure 20 ou até 50 anos para garantir uma mudança com "justiça social". Os governadores de Santa Cruz, Tarija, Beni e Cochabamba, todos de oposição, se encontram nos Estados Unidos para denunciar a várias organizações internacionais o que consideram atuações "ilegais" de Morales e seu partido na Assembléia Constituinte e no Congresso. Greve de fome Segundo informaram várias fontes, pelo menos 350 pessoas estão em greve de fome nas regiões de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando. Elas protestam também contra os "atropelos" à democracia. O departamento de Santa Cruz, o mais rico do país e reduto da oposição, concentra o maior número de grevistas, com cerca de 250, confirmaram à Efe fontes do comitê cívico regional. Os grevistas criticam a forma como o Movimento Ao Socialismo (MAS), partido de Morales, aprovou em primeira instância o seu projeto de Constituição no dia 24 de novembro, em um colégio militar da cidade de Sucre. A votação ocorreu sem a presença da oposição e em meio a distúrbios que deixaram três mortos e cerca de 300 feridos. Além disso, há uma semana, parlamentares governistas reformaram a lei de convocação da Assembléia Constituinte. A medida permite que as sessões sejam realizadas em qualquer outra cidade. OEA e ONU Além dos quatro governadores, que já apresentaram suas denúncias à Organização dos Estados Americanos (OEA) e às Nações Unidas, também está nos EUA uma missão do governo boliviano. A delegação solicitou formalmente ao secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, o envio de uma delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para investigar as três mortes ocorridas em Sucre. O ministro de Relações Exteriores, David Choquehuanca, comentou em La Paz que o governo boliviano não teme a possível chegada de observadores internacionais. "Por que temer? O governo é de total transparência e respeito aos direitos humanos", declarou o chanceler em entrevista coletiva. O MAS estuda a possibilidade de transferir a sede da Constituinte para Chapare, reduto dos produtores de coca fiéis a Morales, para completar a aprovação da nova Constituição até 14 de dezembro. Já o líder da bancada da União Nacional (UN, de centro), Samuel Doria Medina, convocou todos os partidos de oposição a fazer as gestões necessárias no Congresso para prorrogar as sessões da Constituinte por mais seis meses.

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