Evo nomeia interinos no lugar de governadores revogados

Autoridades ficam no cargo até pleito de 7 de dezembro, quando também acontece o referendo constitucional

Agências internacionais,

29 de agosto de 2008 | 10h19

O presidente da Bolívia, Evo Morales, nomeou nesta sexta-feira, 29, os governadores interinos dos departamentos de La Paz e Cochabamba, cujos dirigentes anteriores, ambos opositores, tiveram seus mandatos revogados no referendo realizado em 10 de agosto. As posses foram anunciadas um dia após o governo convocar para 7 de dezembro um referendo sobre a elaboração de uma nova constituição para o país, desencadeando imediatas críticas da oposição.   Em um ato realizado no Palácio de governo, Evo presidiu a posse de Pablo Ramos como governador interino de La Paz e de Rafael Puente para o departamento central de Cochabamba. Os antigos governadores destas regiões - José Luis Paredes (La Paz) e Manfred Reyes Villa (Cochabamba) - ambos opositores a Morales, tiveram seus mandatos revogados no referendo de 10 de agosto. Na consulta, o presidente e seu vice, Álvaro García Linera, foram ratificados com 67,4% dos votos favoráveis à sua gestão. Também ficaram confirmados os outros seis governadores: os opositores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija e os governistas de Potosí e Oruro.   Os novos governadores interinos nomeados assumirão o comando dos departamentos de La Paz e Cochabamba até as eleições departamentais nessas regiões, que ocorrerão em 7 dezembro. Nesse mesmo dia, a Bolívia realizará o referendo nacional para ratificar sua nova Constituição, segundo a convocação decretada por Evo.   A nova consulta popular tem como objetivo "consolidar o processo de mudanças", prosseguiu Evo. Logo depois do anúncio, autoridades rebeldes ao governo no Estado de Santa Cruz contestaram a legalidade do decreto. "Nós rejeitamos as políticas que o governo quer impor por meio de decreto", acusava um comunicado conjunto de líderes conservadores anti-Evo. Eles observaram que o referendo revogatório também confirmou os mandatos de cinco governadores contrários ao presidente. Os governadores rebeldes têm afirmado que não permitirão a realização de um plebiscito sobre a constituição em seus Estados   O presidente socialista, que em 2006 tornou-se o primeiro indígena a governar a Bolívia, e os governadores conservadores protagonizam uma ferrenha disputa de poder em torno da redistribuição de terras e renda à maioria indígena do país, que em grande parte vive em condições de miséria.   Os governadores dos Estados de Santa Cruz, Beni, Tarija e Chuquiasca - todos com maioria populacional de descendência européia e minoria indígena - reivindicam mais controle sobre os recursos das reservas de gás natural existentes em seus territórios. As reservas de gás são consideradas vitais para a Bolívia, o país mais pobre da América do Sul.   Os governadores de oposição a Evo exigem governo central a devolução do Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos (IDH) aos Estados. Há alguns meses, o governo central boliviano utiliza os recursos arrecadados com a taxa para pagar uma aposentadoria universal a todos os idosos.

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