Evo oferece acelerar autonomias por apoio à nova Carta

Governo pede que oposição boliviana que rechaçou Constituição 'submeta-se ao povo' e adapte estatutos

Reuters e Efe,

26 de janeiro de 2009 | 17h05

O governo de Evo Morales ofereceu nesta segunda-feira, 26, acelerar a vigência das autonomias regionais autorizadas pela nova Constituição, que segundo projeções foi aprovada no domingo em um polêmico referendo, em uma tentativa de aproximação com os opositores. O ministro da Defesa, Hector Arce, disse que o governo espera que a oposição submeta-se "à vontade do povo" e adapte ao novo texto os estatutos de autonomia departamental, aprovados em 2008 em quatro dos nove departamentos (Estados) da Bolívia.   Veja também: Bolívia aprova Constituição e ratifica divisão interna Entenda os pontos polêmicos da nova Constituição da Bolívia   O referendo, que de acordo com as pesquisas foi aprovado nacionalmente com 60% dos votos válidos, foi rechaçado em quatro departamentos, liderados por Santa Cruz, que votaram previamente suas autonomias. Por outro lado, o projeto constitucional do presidente Evo recebeu apoio sólido em outros quatro departamentos e mantém-se incerto em Chuquisaca, onde até agora ocorre empate técnico entre o "sim" e o "não."   "A aprovação da Constituição ocorreu nacionalmente, e tem efeito nos nove departamentos, sem nenhuma intenção de separar-se legalmente por votações regionais", advertiu Arce, um dos principais conselheiros legais de Evo. A nova Carta Magna socialista, apresentada por Evo como peça central para a "refundação do país", deve entrar em vigor em fevereiro, quando espera-se que a Corte Nacional Eleitoral divulgue o resultado final da votação popular.   Arce acrescentou que, apesar "de um trecho da nova Constituição" dar a Evo a possibilidade de concorrer à reeleição em novembro, o governo ouvirá algumas demandas de diálogo feitas depois do referendo por vários líderes opositores, que no ano passado organizaram manifestações violentas contra a reforma constitucional.   Os bolivianos votaram em um documento de 411 artigos que outorgaria ao Estado o controle total da economia e abriria as portas das instâncias do poder à maioria indígena. A oposição alega que a Carta Magna concede privilégios a grupos étnicos em detrimento dos mestiços e que não contém uma descentralização verdadeira.

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