Evo pede expulsão de embaixador americano na Bolívia

Philip Goldberg é acusado pelo presidente boliviano de 'conspirar contra a democracia' e buscar separatismo

Reuters,

10 de setembro de 2008 | 18h24

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quarta-feira, 10, que pediu a expulsão do embaixador dos Estados Unidos no país, Philip Goldberg, acusando-o de apoiar a oposição conservadora e de querer a divisão do tumultuado país sul-americano.  "O embaixador do Estados Unidos conspira contra a democracia e ainda busca a divisão da Bolívia", disse Evo em um ato no Palácio do Governo, no qual condenou duramente a onda de violência, que incluiu ataques a gasodutos, promovida pela oposição em várias regiões.   "Peço ao nosso chanceler da República que envie hoje ao embaixador uma nota para que se faça conhecer a decisão do governo nacional, de seu presidente, para que retorne urgentemente ao seu país. Não queremos um separatista que conspire contra a unidade, que atente contra a democracia", acrescentou o líder boliviano.   Veja também: Gasoduto explode e Bolívia suspende 10% do fornecimento ao Brasil Fornecimento de gás para o Brasil foi afetado, diz Petrobrás Lula acompanha crise na Bolívia; país continua sob protestos Lobão nomeia dois secretários para monitorar crise Entenda os protestos da oposição na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia   Imagens das manifestações   "Sem medo de ninguém, sem medo do império. Hoje, diante de vocês, diante do povo boliviano, declaro o senhor Goldberg, embaixador dos EUA, 'persona non grata'", continuou Evo, classificando Goldberg como "especialista em estimular conflitos separatistas."Segundo o presidente, o embaixador americano trabalhou entre 1994 e 1996 como "chefe de escritórios do Departamento de Estado para a Bósnia durante a guerra separatista dos Bálcãs" e entre 2004 e 2006 foi chefe de missão em Pristina, Kosovo. "Ali consolidou a separação ou independência dessa região, deixando milhares de mortos."   "Esta decisão que tomamos é uma homenagem à luta histórica de nossos povos há 500 anos, 200 anos, como também há 20 anos. É uma luta permanente contra um modelo econômico imposto de cima e parafora", destacou Evo.  Resposta americana   As acusações de Evo contra Philip Goldberg são "infundadas", declarou um porta-voz americano logo após a declaração do presidente da Bolívia. Gordon Duguid afirmou ainda que a embaixada em La Paz não recebeu nenhum pedido para que Goldberg deixe o país.   Crise   A crise política na Bolívia se agravou com a radicalização dos protestos contra Evo em várias regiões do país, onde foram registrados nesta quarta ataques às infra-estruturas energéticas e novos confrontos violentos.   O governo denunciou um atentado contra um gasoduto no sul do país, que provocou a diminuição em 10% do gás enviado ao Brasil, informou o presidente da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Santos Ramírez. Ele atribuiu o atentado a grupos de "paramilitares, fascistas e terroristas", supostamente organizados por forças opositoras.   Os dirigentes de cinco regiões opositoras - Beni, Pando, Tarija, Chuquisaca e Santa Cruz - iniciaram há mais de duas semanas uma onda de protestos contra o Executivo para exigir que a receita do Imposto Direto sobre os Hidrocarbonetos (IDH) seja devolvida. O tributo seria utilizado pelo governo para pagar uma pensão aos maiores de 60 anos.   Aos saques de Santa Cruz, somam-se as ações similares em Sucre (capital de Chuquisaca), Trinidad (Beni) e Cobija (Pando).    As autoridades departamentais e cívicas destas cinco regiões concordam em reivindicar a autonomia para seus territórios e em rejeitar a Constituição que Evo queria colocar em vigor na Bolívia.      (Matéria atualizada às 20 horas)  

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