David Mercado/ Reuters
David Mercado/ Reuters

Evo pede mais 5 anos para 'acelerar mudanças' na Bolívia

Bolivianos vão às urnas no domingo; pesquisas indicam que presidente pode ganhar no 1º turno

Marcia Carmo, BBC

04 de dezembro de 2009 | 07h06

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quinta-feira, 3, que quer ser reeleito na eleição presidencial de domingo para "aprofundar e acelerar as mudanças" no país.  Evo falou a seus correligionários no discurso de encerramento de campanha na noite desta quinta-feira. "Desejo ficar cinco anos mais porque aprendi muito nestes quatro anos", afirmou. Evo se referiu aos opositores, dizendo que os "representantes do neoliberalismo" e "politiqueiros acabam" neste domingo.

Evo discursou em La Paz, seu reduto eleitoral, onde também anunciou obras já iniciadas ou que ainda não saíram do papel.  Pesquisas de opinião indicam que o presidente deverá ser reeleito, mas não está claro se conseguirá a maioria no Senado, hoje dominada pela oposição.

Evo prometeu obras para cada um dos nove Departamentos (como são chamados os Estados) bolivianos, destacando que planeja mandar construir termelétricas em Santa Cruz, bastião da oposição. Ele ainda anunciou aumento para os aposentados e falou em integrar o país - política e geograficamente dividido - com estradas. Ele citou estradas que ligarão Bolívia e Brasil, nos projetos de infra-estrutura já divulgados e definidos com o "companheiro Lula".

'Farsante e delinquente'

Evo prometeu que a Bolívia será um polo energético, com o gás e petróleo, além de hidrelétricas e termoelétricas e exploração de lítio. Ele sugeriu que poderá fazer novas sociedades com empresas estrangeiras. E ressalvou: "Mas (os estrangeiros) jamais serão donos dos nossos recursos naturais". O presidente boliviano pediu que "as Forças Armadas, a polícia e a justiça estejam atentas para evitar a saída de 'delinquentes' do país".

Esta semana ele definiu o principal candidato opositor, Manfred Reyes Villa, como "farsante e delinquente", acusando-o de atos de corrupção. A multidão o aplaudiu e gritou: "Evo, Evo". Os seguidores do presidente erguiam cartazes com sua foto e a de seu vice, Álvaro García Linera, e a frase: "Los Valientes" ("Os valentes"). Morales e Linera dançaram no palco ao lado de misses do país e representantes indígenas.

Troféu 'Evo Morales'

O presidente ainda entregou o troféu "Evo Morales" aos esportistas de várias partes do país, durante uma festa popular em frente ao palácio presidencial Queimado. O ato só terminou quando faltavam cinquenta minutos para o fim da campanha.

Em um comício com menos público do que o da chapa oficial, Reys Villa encerrou sua campanha na praça principal de Santa Cruz de la Sierra, no leste da Bolívia. "Vamos chegar ao segundo turno. Por isso peço seu voto. A eleição não está definida", afirmou. O terceiro candidato de acordo com as pesquisas, Samuel Medina, fez o mesmo apelo. "Votos para concorrer no segundo turno".

A campanha eleitoral terminou sem registro de incidentes, contrastando com os recentes momentos de turbulência política vividos no país. Em um episodio isolado, uma candidata da oposição ao Senado acusou ter sido agredida por seguidores de Morales e está hospitalizada.

 

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