Evo pede trégua política de Natal e descarta estado de sítio

Tom conciliador adotado por presidente boliviano contrasta com ameaças da oposição, que rejeita Constituição

CARLOS ALBERTO QUIROGA, REUTERS

11 de dezembro de 2007 | 15h34

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu nesta terça-feira, 11, uma trégua política para as festas do fim do ano e descartou a possibilidade de instalar um estado de sítio para conter os protestos regionais contra a nova Constituição.       Veja também: EUA dizem que constituinte boliviana promove democracia   Em um tom conciliador que contrastou com a agressividade verbal dos prefeitos (governadores) e políticos da oposição, o presidente afirmou que não há justificativa para a greve de fome de protesto que acontece em Santa Cruz. "Seria importante que nossas autoridades, nossos dirigentes, considerassem minha proposta de paz para passar as festas de Natal, e que não enganem, não mintam dizendo que vai haver estado de sítio", declarou Morales a repórteres no palácio do governo, em La Paz. Na segunda-feira, cinco dos nove governadores do país rejeitaram a Constituição aprovada preliminarmente no domingo e pediram autonomia para quatro departamentos: Santa Cruz e Tarija, produtores de petróleo, e Beni e Pando, na Amazônia. Morales quer que a autonomia seja estendida também às províncias, regiões e povoados indígenas, como determina a nova Constituição. Segundo o presidente, a autonomia só para departamentos visa a proteger latifúndios adquiridos de forma ilegal, principalmente em Santa Cruz. Os governadores rebeldes anunciaram que vão pôr os processos de autonomia em vigor por conta própria, sem passar pela Corte Eleitoral. "Novamente convoco as autoridades e os dirigentes eleitos de forma legal e legítima dos diversos departamentos a trabalhar juntos, com base na nova Constituição, na lei de autonomias", disse Morales. "A Bolívia não precisa de um estado de sítio, aqui não há nenhuma agitação; entendo essa preocupação e as greves de fome, mas greves de fome não precisam de estado de sítio, eu mesmo quantas vezes já fiz greve de fome", disse ele, que esclareceu que fez isso em seus tempos de dirigente cocaleiro "pedindo diálogo". "Agora aqui pedimos o diálogo, que é o mais importante para mim, e se há divergências temos instrumentos para definir mediante o voto do povo as contradições entre região e região, entre autoridade e autoridade." Morales aproveitou a publicação por um jornal local do desenho de uma suposta futura moeda da "república de Santa Cruz" para reforçar a denúncia de que as demandas por autonomia na verdade ocultam intenções de secessão.

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