Evo propõe autonomia em troca de referendo constitucional

Presidente boliviano oferece hierarquia administrativa nas províncias para aprofundar a descentralização

Agência Estado e Associated Press,

19 de setembro de 2008 | 13h55

O presidente boliviano, Evo Morales, propôs apoiar as autonomias regionais, caso a oposição aceite um referendo sobre a nova Constituição. "O presidente propôs a viabilização da convocatória do referendo constitucional, melhorando o capítulo das autonomias. A proposta está na mesa", disse a jornalistas o vice-ministro de Descentralização, Fabián Yaksic.   Veja também: Evo oferece mais autonomia aos opositores Ouça a entrevista com o prof. José Alexandre Hage  Bolívia pode rachar, mas ninguém se beneficiaria, diz analista Bolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia  Entenda o que é a Unasul  Enviada do 'Estado' mostra fim dos bloqueios Imagens das manifestações     O funcionário foi designado como porta-voz do Executivo sobre as conversações iniciadas na quinta-feira, em Cochabamba. Participam dos encontros oito governadores, além de observadores internacionais. O governador do nono departamento (Estado) boliviano, Leopoldo Fernández, de Pando, foi preso, sob acusação de conspirar pela morte de partidários de Evo. Fernández nega as acusações.   Evo estava nesta sexta-feira no Panamá, a convite de uma universidade local. Segundo Yaksic, ele deve voltar à mesa de negociações no sábado. O vice-presidente Álvaro García Linera está participando das discussões.   Não foram revelados detalhes da oferta, e as negociações ocorrem a portas fechadas. Há três mesas de discussão: uma sobre o tema do imposto sobre os hidrocarbonetos, que os governos estaduais querem manter integralmente sob seu controle, enquanto o governo destinou uma parte dele para o pagamento de uma pensão para idosos; outra sobre a questão das autonomias estaduais e a nova Constituição; e a terceira sobre um acordo no Congresso para designação de magistrados e outras autoridades nacionais.   O projeto constitucional apoiado por Evo propõe vários níveis de administração autônoma nas regiões, com igual hierarquia, e também reconhece autonomia para povos indígenas. Os governadores oposicionistas rechaçam o texto, por considerá-lo inaplicável. O regime de autonomia promovido pelos autonomistas amplia as atribuições dos líderes estaduais. As divergências se aprofundaram após um referendo revogatório de 10 de agosto, do qual saíram vitoriosos Evo e os governadores oposicionistas, que mantiveram seus cargos. Depois disso houve violentos protestos e confrontos, que mataram pelo menos 15 pessoas na semana passada.   A crise do país se aprofundou precisamente ante o fracasso da Assembléia Constituinte, há um ano, de conseguir aprovar uma nova Carta que fosse consensual. Com isso, quatro departamentos passaram a advogar por mais autonomia, o que o governo central rechaçou. O governador de Tarija, Mario Cossío, da oposição a Evo, disse que as negociações avançam, ainda que a passos lentos.   No Panamá, Evo disse que seu governo está "apostando por transformações profundas na democracia e na busca de uma igualdade social entre os bolivianos, sobretudo apoiando os setores mais abandonados". O líder boliviano estava ao lado do colega Martín Torrijos, que afirmou que o Panamá se une ao "chamado internacional" para que se respeite na Bolívia a "institucionalidade democrática, a integridade territorial e a busca do caminho através do diálogo".

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