Evo propõe referendo sul-americano sobre bases da Colômbia

Para o presidente boliviano essa seria oportunidade para debate sobre 'dignidade e soberania da América do Sul'

Reuters e Efe,

26 de agosto de 2009 | 18h20

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quarta-feira, 26, que proporá na cúpula sul-americana desta semana a convocação de um referendo de âmbito regional a respeito do polêmico acordo militar entre Colômbia e EUA, que daria a Washington acesso a sete bases militares colombianas.

 

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Evo, um dos maiores adversários dos EUA na América do Sul, apresentou sua proposta a dois dias de uma cúpula da Unasul em Bariloche (Argentina) que debaterá o acordo militar.

 

Para ele, o encontro será uma oportunidade para "debater sobre a dignidade e soberania da América do Sul." Ele reiterou sua oposição à existência de qualquer base militar dos EUA na região, e afirmou que, em última instância, os conflitos devem ser dirimidos pelo voto popular.

 

"Quero propor que, se o presidente colombiano não quer retirar as bases militares (dos EUA) da Colômbia, por que não ir a um referendo da América do Sul?," disse Morales em discurso a camponeses na região andina de Oruro.

 

"Os povos (...) dos 12 países (sul-americanos) que façam um referendo sobre as bases militares na América do Sul. Os povos que digam sim ou não, que os povos decidam, e não o império (EUA) que imponha as bases militares na América do Sul," acrescentou ele, em discurso transmitido pela rádio pública Patria Nueva.

 

Bogotá e Washington dizem que o acordo, que ainda não foi assinado, servirá exclusivamente para o combate ao narcotráfico e ao terrorismo.

 

Mas líderes esquerdistas da região, encabeçados pelo venezuelano Hugo Chávez, investiram contra o plano, qualificando-o de "agressão" e de uma "ameaça" capaz de gerar uma guerra na região.

 

Não é a primeira vez que Morales propõe um referendo internacional para resolver um conflito. Há dois anos, sugeriu isso - sem receber apoio - para superar divergências entre governos da Comunidade Andina de Nações a respeito de um possível acordo comercial com a União Europeia.

 

Morales afirmou que um referendo regional sobre as bases militares na Colômbia daria vida a "uma democracia quase continental, onde os povos decidam com sua consciência, com seu voto."

 

EUA

 

O subsecretário assistente dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Christopher McMullen, se reuniu com o chanceler uruguaio, Gonzalo Fernández, para conversar sobre o uso de bases militares colombianas por tropas americanas, confirmaram à Agência Efe fontes da Chancelaria local.

McMullen faz uma breve visita a Montevidéu dois dias antes da cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul) em Bariloche (Argentina), que tem como objetivo fundamental discutir o acordo militar entre EUA e Colômbia.

No último dia 6, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, recebeu em Montevidéu o presidente colombiano, Álvaro Uribe, que viajava por vários países da América do Sul para explicar as condições do acordo bilateral com os EUA.

Na ocasião, Vázquez manifestou a Uribe seu respeito pelo princípio de "não-intervenção" em temas de outros Estados, mas lhe reiterou a tradicional postura do Uruguai contrária a qualquer presença militar estrangeira na América Latina.

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