Evo rejeita conceder 'autonomia plena' a regiões opositoras

Presidente boliviano diz que medida provocaria divisão do país; governo e oposição seguem negociando

Efe,

25 de setembro de 2008 | 16h47

O presidente da Bolívia, Evo Morales, rejeitou nesta quinta-feira, 25, a reivindicação dos governadores regionais opositores de conceder "autonomia plena" a suas regiões porque, em sua opinião, é o mesmo que pedir "independência" e provocar a divisão do país. O chefe de Estado se referiu ao assunto em Tiquipaya, na área rural de Cochabamba, centro da Bolívia, em cuja capital se reúne nas próximas horas com os governadores regionais opositores para dar seqüência ao processo de diálogo para resolver a crise do país. Veja também:Evo Morales espera fechar acordo com oposição nesta quintaOposição boliviana pede mudanças na Constituição para acordoComissão investigará 'massacre em Pando', diz Evo MoralesBolívia pode rachar, mas ninguém se beneficiaria, diz analistaBolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia  "Uma autonomia departamental é outra independência", disse Evo em Tiquipaya, e aproveitou para acusar os opositores de "camuflar seu discurso" supostamente separatista sob reivindicações de descentralização. Ele acrescentou que, "acima de qualquer reivindicação regional, setorial ou municipal, em primeiro lugar está a unidade dos bolivianos" e a defesa da democracia. "Esses golpistas se enganam, não têm apoio nacional nem internacional", afirmou, em alusão aos governadores da oposição, os quais também foram acusados de tentar derrubá-lo durante a onda de protestos sociais das últimas semanas. O presidente boliviano conversará nas próximas horas com os opositores sobre o projeto de uma nova Constituição a qual promove, o regime autônomo para as regiões do país e a distribuição entre o Estado e os departamentos da receita proveniente dos impostos petrolíferos. Os governadores regionais opositores pediram autonomias plenas que incluam competências legislativas, assunto que é discutido na mesa de negociação há uma semana. O diálogo foi iniciado na última quinta-feira e é acompanhado pela comunidade internacional, preocupada com a onda de violência e a desordem vivida no país este mês e que, em seu pior momento, causou a morte de 17 pessoas na região de Pando, no norte da Bolívia.

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