Iván Franco/EFE
Iván Franco/EFE

Evo responsabiliza EUA por golpe de Estado em Honduras

Presidente boliviano diz ter documentos para tese, mas isenta Obama; Zelaya dá ultimato para voltar ao poder

14 de julho de 2009 | 01h11

O presidente da Bolívia, Evo Morales, reiterou na segunda-feira, 13 acusações contra os Estados Unidos pelo golpe de Estado em Honduras e disse ter informação sobre a participação da potência na derrubada do líder deposto Manuel Zelaya.

 

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Evo, de visita por algumas horas no Uruguai, havia comentado dias atrás que também houve narcotraficantes vinculados à manobra. "Tenho informação de primeira que o império, mediante o Comando Sul dos Estados Unidos, faz um golpe de Estado em Honduras", disse o presidente boliviano a jornalistas em Montevidéu, sem dar mais detalhes.

 

Depois de uma reunião, o mandatário boliviano e o presidente Uruguai, Tabaré Vázquez, emitiram um documento conjunto em que apoiaram Zelaya e disseram não reconhecer nenhuma outra autoridade em Honduras. "É uma agressão, uma provocação do império. Com Tabaré Vázquez expressamos nossa solidariedade e apoio ao presidente Zelaya. Os dois países não vamos reconhecer nenhum outro presidente", disse Morales.

 

Mas, além de não dar mais detalhes sobre a operação, Evo preferiu não acusar diretamente o presidente norte-americano, Barack Obama. "Talvez ele (Obama) não saiba disto, mas a estrutura do império continua em vigor. É uma agressão, uma provocação", disse.

 

Zelaya deu um ultimato na segunda-feira aos representantes do governo interino para que seja reempossado. "Damos um ultimato ao regime golpista para que, no mais tardar, na próxima reunião, que se realizará nesta semana na Costa Rica, se cumpram as ordens expressas das organizações internacionais e a da constituição de Honduras", afirmou. Durante uma coletiva de imprensa em Manágua, na Nicarágua, Zelaya disse que, caso não volte ao governo, irá considerar como "fracassada" a mediação liderada pela Costa Rica e "tomará outras medidas". O governo interino, liderado por Roberto Micheletti, não comentou as declarações de Zelaya.

 

O governo de Micheletti mostra-se inflexível ante à possibilidade de que Zelaya regresse ao poder em seu país, deixando pouca margem de manobra ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias, mediador das conversações. Zelaya conta com o respaldo dos governos da região, entre eles o do venezuelano Hugo Chávez, que pediu aos Estados Unidos que tome ações para mostrar seu compromisso com a restituição do presidente deposto.

 

No sábado, as negociações que buscavam resolver a crise política em Honduras terminaram sem acordo, depois de dois dias de conversas na Costa Rica. Uma nova reunião, mediada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, está prevista para o próximo sábado.

 

Zelaya foi retirado do poder e forçado a deixar o país no dia 28 de junho. Ele tentou voltar a Honduras no fim de semana seguinte, mas foi impedido pelo governo interino, que ordenou que veículos militares bloqueassem a pista do aeroporto. A crise política em Honduras começou depois que Manuel Zelaya tentou realizar um referendo para perguntar à população se apoiava mudanças na constituição. A oposição diz que isso teria levado à remoção do atual limite de um mandato para o presidente e teria aberto caminho para uma possível reeleição de Zelaya.

 

Texto atualizado às 9h20.

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