Evo se reúne com opositores na Bolívia; mortos sobem para 28

Presidente pede a prisão do governador de Pando e acusa 'mercenários brasileiros e peruanos por mortes

Agências internacionais,

14 de setembro de 2008 | 08h46

O governo boliviano elevou na madrugada deste domingo, 14, para 28 o número de mortos do que chamou de "massacre" contra campesinos no Departamento de Pando, no norte do país. O anúncio aconteceu no dia em que o presidente Evo Morales e representantes opositores devem se reunir no Palácio do Governo.   Veja também: Lula confirma presença em reunião da Unasul  Entenda os protestos da oposição na Bolívia Filas se formam em frente às distribuidoras de gás   Imagens das manifestações   Chávez aproveita deterioração diplomática dos EUA   Em entrevista coletiva, Rada afirmou que foram encontrados outros dez corpos nos arredores da cidade de Porvenir, no Departamento boliviano que faz divisa com o Acre. Os camponeses, que apóiam Evo, estariam seguindo para uma assembléia quando foram emboscados. O ministro chamou o incidente de genocídio. Horas antes, Evo afirmou que "mercenários brasileiros e peruanos", com a proteção do governo local, participaram dos assassinatos em Pando.   Evo ainda insistiu que sempre manteve a opção de diálogo em aberto e comemorou os resultados obtidos na madrugada de sábado na reunião entre membros de seu governo e o representante da oposição autonomista - o governador de Tarija, Mario Cossío. Evo disse que avanços foram obtidos e confirmou para hoje um novo encontro do qual deve participar pessoalmente. Os governadores de oposição reuniram-se no sábado em Santa Cruz para coordenar uma posição nas conversas deste domingo.   Evo também disse que não vê necessidade de estender o estado de sítio vigente no Departamento de Pando para mais regiões do país, se os opositores interromperem seus ataques. Há mais de uma semana, grupos opositores vêm promovendo violentas manifestações para protestar contra a convocação feita por Evo de um referendo constitucional para 7 de dezembro. Eles também pedem a restituição de um imposto sobre os recursos de gás e petróleo que eram repassados aos governos locais, mas foram confiscados para a criação de uma pensão para aposentados.   Segundo a BBC, o governo ordenou a prisão do prefeito (governador) do Departamento (Estado) de Pando, Leopoldo Fernández. A detenção foi decretada com base na acusação de que o líder opositor orquestrou as manifestações anti-Evo que levaram aos confrontos, segundo o governo. Pouco depois, os outros prefeitos da oposição reagiram, impondo condições para um diálogo com o presidente, marcado para este domingo.   "Nós nos solidarizamos com o prefeito de Pando. E antes de ir ou não à reunião em La Paz, queremos viajar a Cobija (capital de Pando) para lhe dar nosso apoio", disse o prefeito de Santa Cruz, Ruben Costas. "Só haverá diálogo se não ocorrer mais nenhum ferido ou morte". O anúncio da ordem de prisão contra Fernández foi feito pelo ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, na noite de sábado, diante das câmeras de televisão do país. "Prenderemos Fernández", disse. "A prisão será, mais cedo ou mais tarde, por ele ter violado a Constituição e por ter gerado a sangrenta matança de camponeses em Pando", disse. Segundo ele, grupos "paramilitares e mafiosos" atuam sob as ordens do prefeito.   (Com Renata Miranda, de O Estado de S. Paulo)

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