Evo tentará acabar com monopólio do setor elétrico na Bolívia

Empresa Nacional de Eletricidade, controlada por dez empresas estrangeiras, estaria um "lixo"

Efe,

06 de agosto de 2007 | 19h50

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta segunda-feira, 6, que acabará com o monopólio no setor elétrico refundando a Empresa Nacional de Eletricidade (Ende). O anúncio foi feito durante a comemoração dos 182 anos da criação do país andino no Congresso, que se reuniu na Casa de la Libertad, em Sucre, a capital constitucional do país. Ao mesmo tempo, houve protestos do lado de fora do edifício. Durante o discurso, Evo relembrou suas políticas econômicas e disse que refundará a Ende, porque atualmente a condição da companhia é de "lixo" ou "sobra", e o país precisa de uma empresa forte para avançar na conexão elétrica no país. Para ilustrar a necessidade, afirmou que para um projeto de ligação elétrica entre a localidade de Caranavi, no departamento de La Paz, e Trinidad, em Beni, duas companhias transnacionais fizeram orçamentos de US$ 125 milhões e US$ 34 milhões. Segundo Evo, a Ende faria o mesmo projeto por US$ 28 milhões, por isso "é importante refundar" a empresa. Junto com outras companhias de setores estratégicos, a Ende foi privatizada parcialmente por estrangeiros na última década. O chefe de Estado insistiu em pedir apoio ao Parlamento para modificar as normas que regulam o negócio elétrico e acabar "com o monopólio" do setor, que agora está sob controle de dez empresas privadas de capital estrangeiro. "Não pode haver monopólio de empresas no setor de energia elétrica e estou convencido de que, pouco a pouco, a energia se tornará um elemento como a água. Por isso vai ser importante a participação dos parlamentares para rapidamente modificar as normas que acabem com os monopólios correspondentes", declarou. Evo já nacionalizou o setor petroleiro, uma fundição suíça, uma mina de estanho e pretende fazer o mesmo com a empresa de telecomunicações Entel, que recebe investimentos italianos, e com as ferrovias, nas quais há capital chileno e americano. O presidente boliviano aproveitou o discurso para analisar as conquistas de sua gestão e de suas políticas nacionalizadoras que - segundo o líder - permitirão que a Bolívia esteja "seguramente melhor que a Suíça" em "dez, 15 ou 20 anos". No entanto, evitou tocar em temas polêmicos, como a situação da Assembléia Constituinte, que não cumpriu o compromisso de entregar a nova Constituição nesta segunda, e o descontentamento de setores indígenas que o apóiam porque o Congresso adiou o trabalho do fórum até 14 de dezembro. O presidente boliviano também não falou sobre as polêmicas autonomias regionais, nem sobre a manifestação indígena e militar que será realizada amanhã em Santa Cruz, reduto de grupos de oposição. Os protestos realizados durante o desfile em Sucre impediram que Evo assistisse ao ato do camarote da Prefeitura e o levaram a deixar a Casa de la Libertad. Apesar disso, ele pretende fazer outro discurso no plenário da Constituinte no fim do dia. Enquanto o presidente falava, próximo do histórico edifício houve protestos que terminaram com a detenção de três pessoas que ofenderam o vice-presidente Álvaro García Linera. Além disso, pela primeira vez o desfile cívico começou antes de Evo Morales concluir o discurso de mais de três horas e meia. Cidadãos protestaram contra o governo e vaiaram o presidente quando deixava a Casa de la Libertad, porque ele é contra a Assembléia Constituinte debater o processo de mudança da capital para levar a Sucre os poderes Executivo e Legislativo, instalados em La Paz desde 1899.

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