Ex-chefe da inteligência inocenta Fujimori de abusos

Montesinos aceita depor sob juízo em processo de violação de direitos humanos contra o ex-presidente

Efe e Associated Press,

30 de junho de 2008 | 12h46

O ex-assessor de inteligência Vladimiro Montesinos afirmou nesta segunda-feira, 30, o ex-presidente peruano Alberto Fujimori "não teve nenhuma responsabilidade" pelos crimes de homicídio e seqüestro a ele imputados pela Justiça.   Fujimori é processado desde dezembro do ano passado por dois casos de violação aos direitos humanos: os massacres de Barrios Altos (1991) e de La Cantuta (1992), onde morreram 25 pessoas, assim como pelo seqüestro do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer durante seu governo.   Montesinos, influente braço direito e homem de confiança do ex-mandatário, compareceu perante a sala de audiência de um tribunal peruano impecavelmente vestido e fez um aceno com a cabeça para Fujimori e para os magistrados. Ele disse que responderia ao interrogatório do promotor José Peláez apesar de a lei peruana autorizá-lo a guardar silêncio pelo fato de estarem em andamento outros processos nos quais poderia incriminar-se.   Montesinos afirmou que ele, assim como Fujimori, não tem nenhuma responsabilidade nos incidentes de Barrios Altos e de La Cantuta, e insistiu em que não responderia a "nada relacionado a 1991 para trás, nem de 1992 adiante". Com as datas, o ex-assessor de inteligência deixou claro que não revelaria informação referente ao regime fujimorista, além dos fatos que envolvem o processo judicial em andamento: as violações aos direitos humanos citadas ocorridas em 1991 e 1992.   O ex-assessor tinha chegado ao local horas antes, cercado por fortes medidas de segurança, após ter sido levado a partir da Base Naval de Callao, a prisão onde cumpre condenação de 30 anos por vender armas às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Vladimiro Montesinos é considerado o responsável pela grande trama de corrupção que levou à queda do regime de Fujimori.   Nesta segunda-feira, Montesinos e Fujimori se viram frente a frente desde 2000, quando o ex-assessor fugiu ao Panamá e depois à Venezuela, e o ex-presidente foi para o Japão, de onde viajou ao Chile em 2005 e foi detido a pedido do Peru.   Matéria ampliada às 13h40.

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