Ex-chefe de espionagem testemunhará contra Fujimori no Peru

Vladimiro Montesinos, braço direito de Fujimori, afirma que registrou suborno a autoridades durante governo

MARCO AQUINO, REUTERS

13 de novembro de 2007 | 09h28

A Corte Suprema do Peru decidiu intimar o ex-chefe de inteligência Vladimiro Montesinos como testemunha no julgamento do ex-presidente Alberto Fujimori por supostas violações a direitos humanos, disseram fontes judiciais na segunda-feira. O julgamento está previsto para começar no próximo dia 26. Montesinos, que foi a eminência parda e braço direito do governo Fujimori, está preso em uma base naval desde 2001, depois de provocar, no ano anterior, o maior escândalo de corrupção da história do país, o que levou o então presidente a renunciar e fugir. O ex-chefe de espionagem gravou milhares de vídeos e áudios mostrando subornos a juízes, militares, políticos, empresários, esportistas e artistas de TV. Fujimori está preso em um quartel policial desde que foi extraditado pelo Chile, no fim de setembro. Montesinos já foi condenado a 20 anos de prisão por tráfico de armas para a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e ainda será julgado por dezenas de casos de corrupção, narcotráfico e violações dos direitos humanos. Além dele, outras testemunhas devem ser convocadas para o julgamento de Fujimori, inclusive o general da reserva Nicolás de Bari Hermoza, ex-comandante das Forças Armadas, e Julio Salazar, ex-chefe do Serviço de Inteligência Nacional. Ambos, segundo ativistas, sabiam do envolvimento de Fujimori nas violações. A Sala Penal da Corte Suprema informou ainda que serão chamados a depor seis vítimas e 13 peritos. Fujimori foi denunciado pelos crimes de homicídio doloso qualificado, homicídio culposo, lesões corporais graves e sequestro, sempre em relação aos massacres dos Barrios Altos e La Cantuta, em que 25 pessoas morreram. As chacinas foram cometidas por um comando paramilitar criado para combater a guerrilha Sendero Luminoso. Investigações judiciais dizem que Fujimori tinha conhecimento e autoridade sobre o grupo. O advogado de Fujimori, César Nakasaki, pediu à Corte Suprema que adie o início do julgamento para que ele tenha mais tempo de preparar a defesa. A Corte Suprema deve se manifestar ainda esta semana sobre isso. Fujimori, de 69 anos, passou quase dois anos no Chile, onde chegou de surpresa, em novembro de 2005, depois de viver exilado no Japão.

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