Ex-chefe militar pede desculpas a Fujimori em julgamento no Peru

O ex-chefe de um esquadrão da morte do Peru se desculpou-se com o ex-presidente Alberto Fujimori por tê-lo acusado de ordenar a matança de pessoas na luta contra a guerrilha no país durante seu julgamento por abusos aos direitos humanos, que começou há um ano. Santiago Martín Rivas, ex-chefe do grupo militar Colina, disse em um processo contra Fujimori que foi "induzido ao erro" em uma declaração gravada em vídeo que foi apresentada como prova contra o ex-presidente. "Tenho que dizer a todas as pessoas ausentes, assim como o senhor presidente (Fujimori) que está presente aqui, que quero pedir desculpas públicas pelos excessos verbais e pelos excessos que cometi nesse tempo em que fui induzido ao erro", disse Martín Rivas na audiência. O ex-militar se apresentou no julgamento para confirmar a autenticidade de suas declarações gravadas em 2001 -- quando era um refugiado da justiça local -- e nas quais afirmou que Fujimori aprovou os manuais de luta anti-subversiva que queriam aniquilar os grupos rebeldes. O julgamento de Fujimori, de 70 anos, começou no dia 10 de dezembro do ano passado e pelo tribunal já passaram dezenas de testemunhas entre civis, militares e até seu braço direito, o ex-chefe de Inteligência Vladimiro Montesinos, hoje preso em uma base naval por corrupção e tráfico de armas. O ex-presidente é acusado de ser o autor intelectual das matanças conhecidas como Barrios Altos e La Cantuta, nas quais foram executadas 25 pessoas pelo Grupo Colina por suspeitas de pertencerem à guerrilha Sendero Luminoso. Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, antes de ser destituído pelo maior escândalo de corrupção da história do país, negou várias vezes sua vinculação com o esquadrão da morte. "Como em outros vídeos, fiz afirmações sobre algumas pessoas e alguns órgãos, imputando-lhes algumas responsabilidades penais, que não me constavam naquele momento e nem me constam agora", disse Martin Rivas no tribunal. (Reportagem de Marco Aquino)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.