Ex-deputado acusa Farc de matar 11 colegas de cativeiro

Sigifredo López, único sobrevivente de grupo de parlamentares sequestrados, pede troca de prisioneiros

Agências internacionais,

05 de fevereiro de 2009 | 19h09

O ex-deputado colombiano Sigifredo López, libertado nesta quinta-feira, 5, após quase 7 anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assegurou que a guerrilha foi responsável pelo assassinato de 11 companheiros de cativeiro que haviam sido sequestrados juntos com ele em 11 de abril de 2002. "Eles jamais mereciam ter sido assassinados pelas Farc como foram", revelou López em um discurso na praça principal de Cali, no sul da Colômbia, momentos depois de sua libertação.   O ex-parlamentar foi o único de um grupo de 12 políticos reféns a sobreviver em um confuso incidente armado, no qual os outros deputados morreram baleados em junho de 2007. Eles haviam sido sequestrados quando um grupo de rebeldes vestidos de policiais e militares invadiu uma Assembleia no centro de Cali.   Veja também: Itamaraty parabeniza Colômbia por sucesso no resgate Após libertações, Uribe diz que não se deixará enganar por Farc Alan Jara acusa Uribe de não fazer nada por reféns das Farc Cronologia dos sequestrados das Farc Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região   Jornalistas analisam participação do Brasil    O ex-sequestrado disse não guardar rancores, apesar das mortes dos colegas. "Meu sofrimento não vale nada comparado ao dano que significa o massacre dos deputados de Vale. Mas, apesar disso, os verdadeiros democratas não podem se descuidar da essência da democracia", continuou.   López também pediu a "pronta troca de prisioneiros" como primeiro passo para o alcance da paz na Colômbia, e disse que o presidente do país, Álvaro Uribe, "se equivocou em algumas coisas". "É preciso decidir a libertação unilateral de todos os civis e a troca de prisioneiros por combatentes", acrescentou.   Ele ainda convidou todos os colombianos a derrotarem "o sequestro como arma política" e considerou a troca humanitária "indispensável". Esta é a única "maneira de trazer com vida os 22 militares (e policiais) que neste momento estão amarrados a uma árvore há 10 anos", disse o ex-refém em alusão aos sequestrados que as Farc querem trocar por guerrilheiros presos.   Por sua vez, a senadora oposicionista colombiana Piedad Córdoba, que liderou a missão humanitária para receber os reféns, afirmou depois da libertação de López que, mesmo com as críticas recebidas e as dificuldades que encontrou, continuará trabalhando pela soltura de outros sequestrados.   A congressista contou a emissoras locais que, na quarta-feira, foi vaiada dentro de um avião quando viajava para Cali. "Continuo trabalhando e continuarei trabalhando nisto, porque tem a ver com os princípios, com as convicções e, se não, já teria deixado (a missão)", ressaltou.  

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