Ex-ditador argentino é processado pela Operação Condor

Jorge Videla e outros 16 ex-oficiais militares são acusados de conspiração contra dissidentes políticos

Associated Press e Reuters,

28 de novembro de 2007 | 19h04

O ex-ditador argentino Jorge Videla e outros 16 ex-oficiais militares serão processados por conspirarem com outros governos sul-americanos durante a metade dos anos 1970, quando diversos golpes militares ocorreram na região, segundo informou a agência estatal de notícias da Argentina nesta quarta-feira.   Na época, os governos militares de Argentina, Chile, Paraguai Brasil e Uruguai trocaram informações que levaram ao seqüestro e assassinato de dissidentes políticos. Essa conspiração é chamada de Operação Condor.   Videla, que governou a Argentina de 1976 a 1981, fora anteriormente considerado culpado por crimes contra a humanidade e sentenciado a prisão perpétua. No entanto, ele não foi processado por sua suposta participação na Operação Condor.   O ex-general de 82 anos vem cumprindo sua sentença em prisão domiciliar desde 1998 devido a problemas de saúde e a sua idade avançada.   O processo foi aberto em 1999 na Argentina por parentes de desaparecidos, e atualmente há 34 acusados, dos quais 27 já transformados em réus. Desses, dez estão sob prisão preventiva.   Além disso, vários dos réus estão, assim como Videla, presos ou sob prisão domiciliar, cumprindo ou aguardando a condenação por outros crimes de lesa-humanidade. Logo após assumir o cargo, em 2003, o presidente Néstor Kirchner pressionou o Congresso a revogar leis de anistia que haviam beneficiado milhares de repressores. Posteriormente, a Corte Suprema declarou essas leis inconstitucionais, o que permitiu à Justiça retomar as investigações.   Videla e outros generais são acusados pelo envolvimento no seqüestro de mais de 70 pessoas durante a ditadura militar argentina, que durou de 1976 a 1983. Entre as vítimas está Maria Claudia Irueta Goyena, nora do poeta argentino Juan Gelman, segundo informou a agência de notícias Telam.   Irueta, grávida na época, foi capturada em Buenos Aires e secretamente enviada ao Uruguai, onde fora assassinada pelas forças de segurança uruguaia. Sua filha nasceu e foi dada a uma família de militares.   Órgãos de direitos humanos crêem que o último regime militar argentino (1976-83) sequestrou, torturou e assassinou cerca de 30 mil pessoas. Uma comissão independente obteve testemunhas para provar cerca de 11 mil casos.

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