Ex-ditador argentino Videla é condenado à prisão perpétua

O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla foi condenado na quarta-feira por homicídios, torturas e sequestros ocorridos durante o último regime militar no país (1976-83).

HELEN PO, REUTERS

22 de dezembro de 2010 | 21h17

Videla, 85 anos, já passou vários anos numa prisão militar ou em prisão domiciliar. Durante seu julgamento, ele repetidamente justificou a brutalidade da junta militar contra ativistas de esquerda durante a chamada Guerra Suja.

"Não falo em Guerra Suja, prefiro falar em Guerra Justa", disse ele ao tribunal de Córdoba (região central do país), onde foi julgado junto com outros 29 ex-militares.

Ativistas de direitos humanos presentes no tribunal aplaudiram quando a sentença dele foi anunciada.

Grupos de direitos humanos dizem que até 30 mil pessoas foram sequestradas e mortas durante a ditadura, que começou quando Videla e dois outros comandantes promoveram um golpe de Estado, em 24 de março de 1976.

Antes de a sentença ser lida, Videla também criticou os esforços do governo para julgar líderes militares por crimes contra os direitos humanos.

"Os inimigos de ontem conseguiram seus objetivos e agora governam o país e tentam ser vistos como paladinos dos direitos humanos", disse Videla, segundo relato do jornal La Nación, numa referência indireta ao governo centro-esquerdista da presidente Cristina Fernández de Kirchner.

Durante o governo do falecido ex-presidente Néstor Kirchner (2003-07), marido e antecessor de Cristina, várias investigações sobre crimes da ditadura foram abertas ou reabertas.

Quando a democracia foi restabelecida, em 1983, Videla foi condenado à prisão perpétua por crimes cometidos durante os cinco anos em que ele chefiou a junta militar. Mas ele passou apenas cinco anos atrás das grades, até ser anistiado pelo então presidente Carlos Menem.

Oito anos depois, um juiz anulou a anistia a Videla, por considerar que o roubo de bebês nascidos de presas políticas era um crime contra os direitos humanos, e como tal não prescrevia.

Em 2007, um tribunal determinou que ele cumprisse a pena de prisão perpétua imposta em 1985, quando a Argentina julgou os principais líderes da ditadura. A condenação de quarta-feira é a primeira desde o perdão concedido por Menem.

No auge da Guerra Suja, Videla negou que opositores do regime estivessem sendo sequestrados e mortos: "Não há desaparições, elas são uma não-entidade, elas não existem", afirmou ele na década de 1970.

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