Osvaldo Ruiz/AP
Osvaldo Ruiz/AP

Ex-ditador da Argentina se diz preocupado por ser 'preso político'

Jorge Videla está sendo julgado pelo fuzilamento de 30 presos em Córdoba em 1976

Efe e BBC,

14 de setembro de 2010 | 20h29

BUENOS AIRES- O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla disse nesta terça-feira, 14, se sentir "intimidado por ser um preso político" durante uma audiência de seu julgamento por crimes de lesa humanidade cometidos na última ditadura da Argentina (1976-1983).

 

O Centro de Informação Judicial informou que Videla pediu a palavra no julgamento realizado na cidade de Córdoba, onde está sendo processado junto a outros acusados.

 

Videla questionou a presença do secretário de Direitos Humanos de Córdoba, Luis Miguel Baronetto, que é testemunha no caso, em um ato público na sexta passada. Para o ex-ditador, a celebração é "uma ameaça de reinstaurar a violência na sociedade".

 

"Me sinto intimidado pela situação que vivo com meus camaradas por ser preso político. Fico preocupado com minha família, que não tem proteção. Sinto preocupação porque nessa reunião estava o atual secretário de Direitos Humanos do município, que foi testemunha nessa sala", disse Videla.

 

Além do primeiro dos quatro presidentes da última ditadura, estão no banco dos acusados o general Luciano Benjamín Menéndez e otros 23 acusados.

 

Todos eles devem responder pelo fuzilamento de 30 presos em uma penitenciária de Córdoba em 1976.

 

Essa é a primeira vez que o ex-ditador volta a sentar no banco dos réus desde o julgamento das juntas militares em 1985, dois anos após o retorno da democracia.

 

Na ocasião, Videla foi condenado a prisão perpétua. Mas em 1990, o então presidente Carlos Menem (1989-1999) assinou um indulto aos militares condenados.

 

Em 2003, no governo do ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), a lei de anistia, da época de Menem, foi anulada e as causas da ditadura reabertas.

 

Em Córdoba, a expectativa é que as audiências vão prosseguir até o fim do ano, com mais de sessenta depoimentos.

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