Ex-ditadores argentinos serão julgados em setembro por roubo de bebês

Jorge Videla e Reynaldo Bignone são acusados pelo roubo de 33 crianças durante ditadura

26 de abril de 2010 | 19h49

Efe

 

BUENOS AIRES- Os ex-ditadores argentinos Jorge Videla e Reynaldo Bignone serão julgados a partir do dia 20 de setembro pelo roubo de 33 crianças durante o última ditadura no país (1976-1983), informaram nesta segunda-feira, 27, fontes judiciais.

 

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A data de início do julgamento foi fixada pelo Tribunal Oral Federal 6 de Buenos Aires em uma causa conhecida como plano sistemático de roubo de bebês.

 

Além de Videla e Bignone, serão julgados o ex-chefe do Exército Cristino Nicolaides e os militares Santiago Omar Riveros, Jorge "El Tigre" Acosta, Antonio Vañek, Rubén Franco e Juan Antonio Azic.

 

Eles são acusados de "subtração, retenção, ocultação e substituição de identidade de menores de 10 anos", como "responsáveis remotos" dessas ações, segundo as fontes.

 

A causa foi instruída pelo juiz federal Norberto Oyaribe, que no ano passado ordenou que Videla, o primeiro dos quatro presidentes da ditadura, cumprisse prisão preventiva na penitenciária de Campo de Maio, nos arredores de Buenos Aires.

 

O julgamento deve contar com cerca de 300 testemunhas e durar aproximadamente seis meses.

 

Bignone, uma das principais figuras do golpe de 1976, governou a Argentina entre o fim da guerra das Malvinas, em junho de 1982 e a volta da democracia, em dezembro de 1983. Em 1985 foi julgado e condenado à prisão. No entanto, em 1990 foi indultado pelo então presidente Carlos Menem (1989-99).

 

Em 1999 foi detido graças à uma brecha no indulto, que não contemplava o perdão pelo sequestro de crianças. Em 2004, com a revogação das Leis de Perdão no Parlamento - e a confirmação dessa medida na Corte Suprema em 2007 - novos processos foram abertos contra Bignone.

 

Em janeiro do ano passado foi novamente ao banco dos réus pela acusação de sequestro, torturas e assassinatos de civis realizados em Campo de Mayo.

 

Em 1983, poucos meses antes da volta à democracia, Bignone ordenou a eliminação dos arquivos da repressão da ditadura, principalmente aqueles que indicavam o paradeiro dos corpos dos prisioneiros políticos.

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