Ex-generais argentinos são condenados à prisão perpétua

Antonio Bussi e Luciano Menéndez são acusados de seqüestrar e torturar senador durante ditadura

Efe,

28 de agosto de 2008 | 18h45

Os ex-generais argentinos Antonio Bussi e Luciano Menéndez foram condenados nesta quinta-feira, 28, à prisão perpétua pelo seqüestro, tortura e desaparecimento do ex-senador Guillermo Vargas Aignasse durante a última ditadura militar na Argentina (1976-1983). Esta é a primeira condenação por crimes de contra a humanidade recebida por Bussi, de 82 anos, governador da província de Tucumán (noroeste da Argentina) durante o regime militar e a democracia (1995-1999).  No entanto, o Tribunal Oral Criminal Federal de Tucumán concedeu o benefício da prisão domiciliar a Bussi, o que gerou incidentes em frente à sede judicial por causa de choques entre membros das forças de segurança e de organizações humanitárias e partidos de esquerda. A polícia lançou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, causando tumulto na região. Os ex-militares foram sentenciados por homicídio com agravantes por aleivosia, privação ilegítima da liberdade, violação de domicílio e imposição de tormentos agravados. Ambos foram julgados pelos crimes cometidos em 1976 contra o ex-senador Guillermo Vargas Aignasse, a quem Bussi assegurou entre lágrimas "não ter visto" em sua vida. Menéndez, de 81 anos, foi condenado também em 24 de julho à prisão perpétua na província de Córdoba (centro), neste caso pelo seqüestro, tortura e assassinato em 1977 de quatro militantes políticos. O promotor Alfredo Terraf tinha pedido na terça-feira a prisão perpétua em uma cadeia comum para os ex-militares, mas o tribunal ordenou que Bussi continue nas mesmas condições que durante seu encarceramento preventivo, ou seja, em regime domiciliar. A defesa de Bussi tinha reivindicado que, caso o ex-general fosse condenado, recebesse o benefício da prisão domiciliar por seu "precário estado de saúde." Durante seu último discurso antes de receber a sentença, os ex-generais reiteraram nesta quinta que durante a ditadura argentina houve "uma guerra" contra "terroristas" de esquerda. "Este caso não pode ser tratado fora do contexto da guerra nos (anos) 1970", afirmou Bussi antes de ouvir o veredicto. Antonio Bussi, que sofre de problemas cardíacos e mostrou um estado de saúde deteriorado, interrompeu seu discurso para pedir "mais oxigênio" e chorou em mais de uma ocasião ao falar perante os membros do tribunal que o julga. Também acusou a Promotoria de buscar influir "na opinião pública" sobre o ocorrido durante o último regime militar, cuja repressão deixou 18 mil desaparecidos, segundo dados oficiais, embora os organismos humanitários elevem esse número a 30 mil. Durante a jornada das alegações finais do julgamento, realizada na terça-feira passada, a defesa pediu a absolvição de Bussi e Menéndez, que nesta quinta insistiu em que "a subversão apontava à alma do povo para submetê-lo". Bussi, que na década passada fundou a Força Republicana, foi eleito prefeito de Tucumán em 2003, mas pouco antes de assumir o cargo foi detido pelo desaparecimento do ex-senador Vargas Aignasse dentro do processo que desembocou em seu julgamento.

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