Ex-general chileno é condenado à prisão perpétua

Hugo Salas Wenzel é acusado de assassinatos durante o regime militar de Augusto Pinochet

BBC Brasil, BBC

29 de agosto de 2007 | 03h03

A Suprema Corte chilena confirmou na terça-feira, 28, a condenação à prisão perpétua do ex-general Hugo Salas Wenzel por sua responsabilidade pelo assassinato de 12 opositores do regime de Augusto Pinochet. Salas Wenzel é o primeiro militar chileno de alta patente a receber pena de prisão perpétua por violações de direitos humanos. O general reformado comandava a Central Nacional de Informações (CNI) durante o regime de Pinochet. Agentes da CNI assassinaram os 12 integrantes da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), grupo de luta armada contra o governo, em 1987. O episódio ficou conhecido como a "Matança de Corpus Christi". As mortes foram planejadas como vingança por um atentado fracassado contra Pinochet em setembro de 1986. Na época, os militares afirmaram que os militantes haviam morrido em choques com as forças de segurança. No entanto, uma investigação judicial determinou posteriormente que os militantes haviam sido detidos e assasinados a sangue frio em diferentes partes de Santiago, no que também ficou conhecido como a "Operação Albania". Salas Wenzel, que estava em liberdade condicional, já havia sido sentenciado em primeira instância em 2005 por sua "responsabilidade intelectual pelos homicídios". Nesta terça-feira, a mais alta corte judicial chilena confirmou a condenação. A Suprema Corte chilena também manteve - e elevou, em alguns casos - as sentenças de outros ex-membros da CNI acusados de autoria dos assassinatos. No ano passado, o governo chileno concordou em indenizar em US$ 570 mil (cerca de R$ 1,1 milhão) cada uma das famílias das vítimas.  Calcula-se que milhares de opositores foram torturados, assassinados ou exilados durante o regime de Pinochet, de 1973 a 1990. Pinochet morreu em dezembro de 2006, aos 91 anos de idade, sem ter sido julgados por seus   crimes. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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