Ex-guerrilheiro Tupamaro é escolhido candidato no Uruguai

José Mujica é o candidato da coalizão do governo; eleições presidenciais serão em outubro de 2009

Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S. Paulo ,

15 de dezembro de 2008 | 10h20

Os delegados da Frente Ampla, a coalizão de centro-esquerda que governa o Uruguai, escolheram em sua convenção nacional o ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica como o candidato presidencial para as eleições de 2009. Mujica, ainda deverá passar por outro teste em junho, quando será realizada uma convenção aberta para todos os militantes da coalizão. As eleições presidenciais estão marcadas para outubro. Mujica, antes de passar 13 anos no cárcere durante a Ditadura uruguaia, tentou esconder-se nos esgotos de Montevidéu para fugir dos militares que o caçavam. Atualmente, além de ser senador, comanda uma floricultura. O principal rival de Mujica é o socialista moderado Danilo Astori, ex-ministro da Economia. Na convenção fechada, Mujica obteve 71% dos votos, enquanto que Astori teve 23%. Mas, Astori conta com o respaldo do empresariado e dos setores mais moderados da coalizão de governo. As pesquisas indicam que na convenção aberta - ao contrário da convenção fechada - a disputa entre ambos seria acirrada. O presidente Tabaré Vázquez afirmou em diversas ocasiões que a chapa preferida para sua sucessão é Astori candidato a presidente e Mujica a vice. Os analistas afirmam que esta chapa (ou na versão Mujica presidente, Astori vice) seria imbatível nas urnas. Astori - defensor entusiasta de um acordo de livre comércio do Uruguai direto com os EUA, passando por cima do Mercosul - é o preferido dos mercados. O septuagenário e carismático Mujica, famoso por não ter papas na língua e locomover-se em uma escangalhada lambreta pelas ruas de Montevidéu, é considerado o político mais popular no Uruguai, especialmente entre os jovens e os uruguaios que migraram do país. A convenção também determinou que o próximo programa de governo - em caso de vitória nas eleições presidenciais - incluirá uma lei que despenaliza o aborto, além do fim da anistia aos militares que participaram da última Ditadura (1973-85).  

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