Ex-marido teme que acordo signifique morte de Betancourt

Presidente Uribe anunciou um decreto que autoriza a libertação dos rebeldes das Farc em troca dos reféns

Efe,

29 de março de 2008 | 13h46

O ex-marido da refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt, Fabrice Delloye, disse neste sábado, 29, temer que a mudança de atitude do governo colombiano, que se dispôs a iniciar uma troca humanitária com a guerrilha, signifique que Ingrid, seqüestrada pela guerrilha em fevereiro de 2002, já esteja morta. "Existe essa possibilidade levando em conta a mudança repentina na atitude do governo colombiano, que vem dizer agora que concordaria com um acordo humanitário", disse Delloye à agência de notícias Efe. Delloye admitiu que não há "elementos precisos para saber se (Betancourt) está viva ou morta", mas insistiu que sabe da "fragilidade de seu estado de saúde". Também destacou a mudança de atitude do presidente colombiano, Álvaro Uribe, que na quinta-feira anunciou um decreto que autoriza a libertação dos rebeldes das Farc em troca dos reféns, entre eles a ex-candidata à Presidência da Colômbia. "Me pergunto que informações eles têm para fazer isso", principalmente porque "esse acordo tem sido reivindicado há meses, e Uribe nos conduziu a becos sem saída e impediu que isso acontecesse", disse Delloye. O ex-marido de Betancourt se referiu particularmente às declarações do vice-presidente colombiano, Francisco Santos, que disse que se a ex-candidata presidencial, que também possui cidadania francesa, morrer, as Farc seriam responsabilizadas. Delloye disse estar "horrivelmente inquieto" com essas palavras e acrescentou que não quer que o governo colombiano fuja de suas responsabilidades para evitar um desenlace final. O filho de Delloye e Betancourt, Lorenzo, disse na sexta-feira, 28, que a nova posição de Uribe sobre um acordo humanitário é a oportunidade que estava esperando "há muito tempo", mas afirmou que o presidente colombiano costuma ter "jogo duplo". Dirigindo-se às Farc, Lorenzo também destacou que "essa ocasião deve ser aproveitada porque a condição física dos reféns é muito grave e porque essa é a última oportunidade de (as Farc) serem consideradas algo mais do que uma organização terrorista". Yolanda Pulecio, mãe de Ingrid, enviou uma mensagem neste sábado ao dirigente das Farc, "Joaquín Gómez", por meio da emissora Todelar, de Bogotá, onde suplicava para que a guerrilha liberte sua filha. "Eu peço a 'Joaquim Gómez' que, por favor, tenha um gesto humanitário e liberte Ingrid, que é uma pessoa que tem experiência em temas políticos", disse. Na mensagem, Yolanda também recomendou que Ingrid resista, que se alimente e que tome seus remédios "para não morrer".

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