Reprodução
Reprodução

Ex-presidente colombiano agita política local pelo Twitter

Álvaro Uribe mandou mensagens sarcásticas sobre a políticas do atual presidente, Juan Manuel Santos

REUTERS

10 de junho de 2011 | 12h19

BOGOTÁ - O ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe está furioso com os rumos que seu sucessor, Juan Manuel Santos, vem seguindo. E está informando todo mundo disso, através de sua conta oficial no Twitter (@AlvaroUribeVel), como informa nesta sexta-feira, 10, a Reuters.

 

Veja também:

blog NUESTRA AMÉRICA: Os presidentes twitteiros

 

Mensagens irônicas enviadas a seus mais de 470 mil seguidores no microblog vêm mantendo Uribe no centro das atenções no país, causando desconforto a Santos, que foi ministro da Defesa no governo de Uribe.

 

Ironicamente, a briga travada através do Twitter está ajudando Santos a romper com seu passado e forjar seu caminho próprio como líder de uma economia em franco crescimento.

 

'Concessão à guerrilha'

 

Uribe vem criticando especialmente a legislação inovadora de Santos, que prevê reparações para as vítimas do conflito armado colombiano e a devolução de terras tomadas de camponeses por latifundiários e paramilitares de direita.

 

O ex-presidente, cuja repressão apoiada pelos EUA contra a guerrilha esquerdista é vista como responsável por fazer da Colômbia um lugar mais seguro, vê a lei como concessão à guerrilha.

 

"Churchill: apaziguamento de terroristas os faz crescer", tuitou Uribe em 23 de maio desde Londres, parafraseando o líder britânico conservador da época da 2a Guerra Mundial. "Combater o terrorismo não é algo que todo o mundo goste de fazer, mas beneficia a todos. Não recuemos", acrescentou o ex-presidente na quinta-feira.

 

Guerra unilateral

 

Depois de liderar a Colômbia por oito anos, Uribe está tendo dificuldade em ajustar-se à vida longe do poder, de acordo com Michael Shifter, diretor do instituto de estudos Diálogo Interamericano, de Washington.

Por enquanto a guerra no Twitter é unilateral, porque Santos (@JuanManSantos) vem evitando um desentendimento público e enviou apenas mensagens em tom respeitoso, admitindo que está partindo das realizações de Uribe para transformar a Colômbia, hoje uma economia em franco crescimento com base no petróleo e na mineração.

Recentemente, porém, Santos expressou sua frustração, tuitando que não vai ficar "incomodando o presidente em exercício" quando deixar o poder. Mais tarde ele suavizou o comentário.

Por trás das farpas estão diferenças políticas, sociais e culturais profundas entre Santos, representante típico da elite urbana da Colômbia, e Uribe, filho de um conservador criador de gado que foi assassinado por guerrilheiros.

Adversários e escândalos

 

Santos foi eleito no ano passado para dar continuidade às políticas de Uribe e se beneficiou da grande popularidade do ex-presidente. Contudo, horas apenas depois de chegar ao poder, em agosto passado, ele mostrou que se nortearia por seus próprios princípios.

Ele restaurou as relações com um inimigo de Uribe, o esquerdista presidente da vizinha Venezuela, Hugo Chávez. A medida revoltou Uribe, que afirma que Chávez ainda está dando abrigo a guerrilheiros colombianos.

Santos nomeou adversários de Uribe do Partido Liberal, ao qual pertencia no passado, para cargos no gabinete. Eles vêm trazendo à tona casos de corrupção na administração Uribe, como um escândalo em torno de subsídios agrícolas.

"É uma divisão importante. O que está acontecendo é que o pêndulo está voltando para o centro, enquanto Santos está recuperando sua vocação política pessoal", disse Humberto De La Calle, ex-vice-presidente da Colômbia.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiatwitterUribeSantospolítica

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.