Ex-presidente Nicanor Duarte é excluído do Senado paraguaio

Com eleição recusada, ex-líder se torna senador vitalício, com direito a voz, mas sem voto e salário

Agências internacionais,

04 de setembro de 2008 | 12h28

O Senado paraguaio decidiu nesta quinta-feira, 4, destituir o ex-presidente Nicanor Duarte da posição de senador ativo, transformando-o automaticamente em senador vitalício, com direito a voz, mas não a voto nem a salário. Duarte, que em 15 de agosto entregou o poder ao ex-bispo católico Fernando Lugo, não participou da sessão, assistida por 36 dos 45 senadores paraguaios.   Duarte foi eleito senador nas eleições do dia 20 de abril, na qual o ex-bispo católico Fernando Lugo foi eleito para a Presidência - colocando fim a seis décadas de hegemonia do Partido Colorado no governo paraguaio, mas foi impedido de renúnciar para assumir o cargo no Senado. A Constituição paraguaia reserva para os ex-presidentes uma cadeira vitalícia no Senado. Eles têm o direito de se manifestarem, mas não têm direito a voto.   Em frente ao Senado, milhares de camponeses protestaram em favor da destituição de Nicanor Duarte por ele ter-se candidato ao Senado quando ainda ocupava o posto de chefe de Estado.   Em declarações a uma emissora de TV paraguaia, Duarte adiantou o resultado e afirmou reconhecer que neste momento é impopular mas denunciaria aos organismos internacionais os senadores que desconheceram sua eleição com mais de 500 mil votos. "Afirmo que existe um golpe de Estado institucional executado pelo Poder Legislativo, com a cumplicidade do presidente [Fernando] Lugo", afirmou. O presidente pediu recentemente para que Duarte "voltasse para casa".   Na terça o ex-presidente do Paraguai Nicanor Duarte negou envolvimento em um complô para derrubar o governo paraguaio. Na segunda-feira, o presidente Fernando Lugo denunciou um suposto plano contra seu governo orquestrado por Duarte e o general da reserva Lino Oviedo. O ministro do Interior, Rafael Filizzola, pediu ao Congresso que investigue a participação do promotor-geral do Estado, Rubén Candia, e do vice-presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, Juan Manuel Morales, numa reunião na qual supostamente se conspirou contra Lugo.

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