Ex-presidentes latinos se aliam para combater a pobreza

O grupo quer criar uma agenda social para aproveitar o crescimento econômico atual

EFE

26 de abril de 2008 | 00h00

Um grupo de ex-presidentes latino-americanos liderado pelo peruano Alejandro Toledo pretende criar uma agenda social para tentar aproveitar o crescimento econômico na redução da pobreza e da exclusão social na região. A iniciativa reuniu nesta sexta-feira num hotel dos arredores de Lima os ex-governantes Vicente Fox (México), Fernando de la Rúa (Argentina), Carlos Mesa (Bolívia), Rodrigo Borja (Equador), Rodrigo Carazo (Costa Rica) e Nicolás Ardito (Panamá), além de Toledo, o anfitrião. Todos afirmaram no encontro que a redução da pobreza e da exclusão é possível na atual conjuntura, em que as economias latino-americanas estão crescendo em média a um ritmo de 6% por ano e de forma sustentável. Toledo explicou que "o principal objetivo é enfrentar o desafio da América Latina, que está em um dos melhores momentos de sua história, para se transformar no continente das oportunidades". "Poucas vezes a América Latina teve a oportunidade de dar um salto qualitativo, de se colocar em um lugar preferencial no mundo", acrescentou Toledo, ao explicar que novos mercados foram abertos e que a região "rompeu o cordão umbilical quase monolítico com os Estados Unidos". "Agora temos uma relação de comércio e investimento muito forte com a Europa. Os Estados Unidos não são mais o principal investidor da América Latina, este posto pertence à Europa, especialmente Inglaterra e Espanha", disse o ex-governante peruano, que citou também a China e a Índia como fortes parceiros econômicos. Os temas tratados pelos ex-presidentes coincidem com os que serão debatidos durante a 5ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da União Européia, América Latina e o Caribe (ALC-UE), que acontecerá nos dias 16 e 17 de maio, em Lima. O objetivo desta iniciativa é, definitivamente, "construir uma agenda social para os próximos 20 anos", destacou Toledo. No encerramento do fórum, o ex-presidente peruano disse que também faz parte do objetivo do grupo alcançar um crescimento econômico sustentado por períodos longos, para, com isso, impedir "o surgimento de governos populistas". Para o costarriquenho Rodrigo Carazo, esta iniciativa "contribuirá para a paz e o respeito das nações", enquanto o argentino Fernando de la Rúa deixou claro que a "luta pela igualdade e contra a pobreza pode ser traduzida em políticas concretas". Os ex-presidentes comentaram ainda sobre seus respectivos mandatos, e De la Rúa explicou a difícil situação que enfrentou quando deixou o poder. O argentino renunciou em dezembro de 2001, superado por uma grande crise e sem poder resolver os problemas que levaram seu país a um histórico protesto, além do colapso do sistema financeiro argentino. Insistiu em que essas experiências servem agora para aplicar políticas de Estado. Já o boliviano Carlos Mesa reconheceu que durante seu mandato houve dois grandes temas nos quais não adotou políticas adequadas: faltaram mais investimentos diretos no setor rural e na saúde. Mesa também deixou o poder pressionado por uma grave crise social em 2005, sendo derrotado em eleições antecipadas pelo socialista Evo Morales. De la Rúa defendeu que uma "parte do Produto Bruto Interno de cada país" deve ser usada com o objetivo de conseguir essa agenda social. "Isso permitiria fixar pautas e trabalhar com eficácia para que os programas sociais não sejam politizados, e para que a corrupção desapareça", concluiu.

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