Arturo Rodriguez/AP
Arturo Rodriguez/AP

Ex-preso cubano afirma que seu envio à Espanha é um 'exílio forçado'

Arturo Pérez, doente e preso há sete anos, disse que só aceitou ir a Madri porque não tinha outra opção

Efe,

21 de julho de 2010 | 19h20

MADRI- O dissidente cubano Arturo Pérez de Alejo, que passou sete anos preso em Cuba e agora começa uma vida "incerta" em Madri, disse nesta quarta-feira, 21, à Efe que sua estadia na Espanha é "um exílio forçado".

 

Veja também:

linkChega à Espanha 12º preso político libertado por Cuba

linkLibertações acabarão com bloqueios, diz Moratinos

blog Fariñas: 'Temos de aproveitar a janela'

especialEntenda a crise dos presos políticos de Cuba

lista Veja lista dos 52 presos políticos

 

Acompanhado de sua mulher, sua filha pequena e quatro parentes, o preso político chegou hoje a Madri, assim como onze de seus companheiros de cela fizeram na semana passada, e mais oito farão nos próximos dias.

 

Na repressão conhecida como Primavera Negra, de 2003, na qual foram presos 75 dissidentes, Alejo foi acusado de atentar contra a independência de Cuba e de ser um mercenário a serviço de uma potência estrangeira por denunciar casos de violação de direitos humanos, por meio de sua ONG, a Organização Independente de Direitos Humanos Escambray.

 

"Usamos a Espanha como um exílio, como um refúgio, porque não há outra alternativa , não tenho outra alternativa. Tenho uma pilha de doenças, estou preso e me dão esta possibilidade, e entre estar preso e morrer lá, prefiro buscar um respiro aqui", disse o ex-prisioneiro.

 

Alejo afirmou que não tem liberdade, porque está fora de sua terra e longe de sua família, parte da qual ainda permanece na ilha. "Minha mãe está morrendo e nem sequer posso decidir nada sobre sua vida e sua morte", revelou, entristecido, ao recordar que antes de embarcar para Madri, pôde conversar com ela por 40 minutos.

 

Apesar de tudo, fala de perdão, e diz que não deixará de ser quem é e o que foi, referindo-se ao status de preso político, porque sua liberdade na Espanha é um "exílio forçado".

 

O dissidente espera que Cuba continue dando passos de abertura. Alejo, no entanto, prefere não se pronunciar sobre até que ponto as libertações dele e de seus companheiros podem significar a revogação ao embargo americano imposto à ilha.

 

Alejo é mais um dos 52 presos políticos que Cuba prometeu libertar após firmar um acordo com o governo espanhol e com o Arcebispado de Havana. Outras oito libertações são esperadas para os próximos dias, enquanto os 32 dissidentes restantes serão soltos em até quatro meses.

 

Todos os libertados fazem parte do grupo de 75 opositores preso em 2003 no episódio conhecido como Primavera Negra. Alguns cumprem pena de até 28 anos de prisão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.