Gastón de Cárdenas/Efe
Gastón de Cárdenas/Efe

Ex-preso cubano chega a Miami

Arturo Pérez de Alejo é o primeiro dissidente libertado a conseguir visto para morar nos EUA

estadão.com.br,

27 de setembro de 2010 | 23h21

MIAMI- O dissidente cubano Arturo Pérez de Alejo chegou nesta segunda-feira, 27, a Miami, procedente de Madri, convertendo-se no primeiro preso político libertado a chegar aos Estados Unidos con um visto outorgado pela embaixada americana na Espanha.

 

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"Isso é muito importante para mim porque é o início e abre caminho a todos para virem aqui", disse Alejo no aeroporto internacional de Miami, onde chegou acompanhado de sua mulher e de sua filha caçula.

 

O ex-prisioneiro afirmou que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que todos os seus companheiros que queiram morar nos Estados Unidos podem fazê-lo. "Quase todos começaram o processo, mas há outros que preferem ficar por lá (na Espanha)".

 

O cubano parecia esgotado, mas estava visivelmente alegre por ter conseguido enfim estar nos EUA com toda a sua família, exceto seu filho mais velho, que continua em Cuba e está prestes a se formar em Direito.

 

"Estou exausto, tenho dor de cabeça. A única coisa que quero é ir para minha casa e recomeçar minha vida. Tenho várias doenças e problemas estomacais que tenho que tratar aqui. Isso é o mais urgente por hora", afirmou o dissidente.

 

Alejo recordou brevemente seus sete anos e quatro meses na prisão, "os mais tristes e asquerosos de sua vida".

 

Para o ex-preso, as últimas medidas econômicas implementadas em Cuba pelo presidente Raúl Castro são uma "farsa" e não representam uma mudança significativa para o povo cubano.

 

Alejo é um dos 75 opositores presos pelo regime castrista na repressão conhecida como "Primavera Negra" de 2003. Ele foi condenado a 20 anos de prisão. 23 presos do grupo já haviam sido libertados por razões de saúde.

 

O governo de Cuba anunciou no início de julho que libertaria os 52 presos políticos remanescentes em um prazo máximo de quatro meses como resultado do processo de diálogo aberto com a Igreja Católica cubana e apoiado pela Espanha.

 

Todos os dissidentes libertados embarcaram para a Espanha com suas famílias. O primeiro deles a sair de Madri foi José Ubaldo Izquierdo, que viajou ao Chile há mais de um mês com seus parentes para residir no país como asilado político.

 

A Comissão Cubana de Direitos Humanos, um órgão independente, mas tolerado pelo regime, disse que após a libertação dos 52 dissidentes ainda restarão cerca de 100 presos políticos na ilha. A cifra, no entanto, é contestada por outros órgãos, como a Anistia Internacional, segundo a qual só restará em Cuba um "preso de consciência."

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