Ex-reféns das Farc são recebidos por parentes na Venezuela

Quatro ex-parlamentares colombianos quepassaram mais de seis anos sequestrados pelas Farc chegaram àVenezuela em boas condições de saúde, horas depois de serementregues a uma missão humanitária na selva colombiana, segundoautoridades. Jorge Eduardo Gechem, Luis Eladio Pérez, Orlando Beltrán eGloria Polanco foram levados ao país vizinho em doishelicópteros com emblemas da Cruz Vermelha Internacional. Os reféns, sorridentes, foram recebidos entre lágrimas ebeijos por seus familiares, que correram até a pista doaeroporto internacional de Caracas para abraçá-los eentregar-lhes flores. Em janeiro, numa operação semelhante, as Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia entregaram as políticas ConsueloGonzález e Clara Rojas a uma outra comitiva do governo de HugoChávez. A entrega de quarta-feira ocorreu na selva do Departamentocolombiano do Guaviare, onde pousaram os dois helicópterosvenezuelanos Mi-17. A missão foi liderada pela senadora colombiana PiedadCórdoba, aliada de Chávez, e pelo ministro venezuelano doInterior, Ramón Rodríguez Chacín, que tinha em seu poder ascoordenadas do local onde os reféns seriam deixados emliberdade. No momento da libertação, Polanco, que vestia uma camisetapreta, não deixava de chorar e perguntava repetidamente porseus filhos à senadora Córdoba, a quem deu um caloroso abraço,conforme mostraram as imagens da emissora Telesur. "Pensei que fossem embora", brincou Pérez, magro, massorridente, ao comentar o sobrevôo dos helicópteros sobre azona de entrega, onde havia pelo menos cinco guerrilheiroscamuflados e fortemente armados. Na chegada ao aeroporto de Caracas, Pérez disse que aex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, mantidarefém pelas Farc, está em situação "extremamente difícil". Eleafirmou que a viu pela última vez há 23 dias e por poucosminutos. "Trabalharemos sem descanso para conseguir a liberdade detodos, mas particularmente de Ingrid Betancourt, que está nestemomento em uma situação extremamente difícil", declarou Pérez. PARTES NÃO CEDEM Simultaneamente à libertação, as Farc emitiram uma nota emque reiteram a necessidade de que o governo colombiano retiredurante 45 dias suas forças de uma zona de 780 quilômetrosquadrados, para que se possa negociar a troca de 40 refénsremanescentes por cerca de 500 guerrilheiros presos. A informação sugere que a guerrilha esquerdista nãopretende mais fazer libertações unilaterais. "Esta libertação é a mais contundente manifestação de quepode mais a humanidade que a intransigência", disse o gruporebelde. "Agora deve se seguir o esvaziamento militar [dosmunicípios] de Pradera e Florida por 45 dias, com presençaguerrilheira e da comunidade internacional, para pactuar com ogoverno nesse espaço a libertação dos guerrilheiros e dosprisioneiros de guerra em poder das Farc." Mas o presidente Alvaro Uribe, que recebe apoio militar dosEUA e tem grande popularidade graças à linha-dura contra aguerrilha, se nega a retirar as tropas dessa área, argumentandoque os rebeldes tentariam tirar partido militar de uma zonaestratégica e submeter a população civil que ali vive. O governo brasileiro cumprimentou Chávez e Uribe pelas"medidas que possibilitaram a entrega dos quatro reféns" e dizesperar que o gesto leve a novas iniciativas humanitárias. Já os Estados Unidos expressaram gratidão pela libertaçãodos reféns, mas condenaram as Farc por manterem outrossequestrados na selva, entre eles três norte-americanos. (Reportagem adicional de Luis Jaime Acosta em Bogotá, AnaIsabel Martínez em Caracas, Adriana Garcia em Washington eTatiana Ramil em São Paulo)

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