Excesso de abortos preocupa médicos e demógrafos em Cuba

Milena, de 19 anos, sorri nervosa e róias unhas, mas ainda assim continua na fila para abortar em umaclínica de Havana. Os motivos? Está estudando e só conheceu onamorado três meses atrás. Em Cuba, o aborto foi legalizado em 1965 e as mulheres sãolivres para decidir quando ter filhos e quantos serão. O país éconsiderado um dos mais avançados da região em matéria deplanejamento familiar. Mas o recurso indiscriminado do aborto preocupa os médicos,demógrafos e políticos de Cuba. Em 2006, por exemplo, 67.903mulheres na faixa dos 12 aos 49 anos se submeteram a pelo menosum aborto, ou seja, de cada 100 mulheres grávidas, 37abortaram. Somente seis morreram em decorrência da interrupçãoprovocada da gravidez. "O aborto ainda é muito utilizado como métodocontraceptivo", disse à Reuters a ginecologista CeliaHernández, que trabalha em uma clínica comunitária em Havana. A Sociedade Cubana de Desenvolvimento da Família informaque os abortos aumentam durante a adolescência, desencadeandoproblemas maiores. Segundo dados oficiais, 70 por cento das mulheres quepassam por consultas sobre fertilidade para engravidarabortaram uma ou duas vezes durante a adolescência. "Apesar das campanhas nas escolas e na televisão, os jovensde hoje não pensam como nós. São caóticos na questão dasexualidade", disse Hernández, ao terminar um procedimento deaborto ambulatorial, realizado nas primeiras semanas degravidez. Além do aborto, o Ministério da Saúde Pública provêgratuitamente desde pílulas anticoncepcionais e camisinhas atécirurgias para esterilização de homens e mulheres que assolicitarem. Os médicos alertam sobre os riscos do aborto, comoinfecções ou hemorragias e até a morte. "Do ponto de vista médico, o ideal é não correr esse risco(...) Mas não se pode negar essa consulta a ninguém. Não estouaqui para dizer: Tu tens de parir", disse Hernández. O alarme sobre a baixa natalidade e o rápido envelhecimentoda população cubana foi dado depois que o número de habitantesdo país caiu de 11.243.836, em 2005, para 11.239.536, em 2006-- a primeira redução em 25 anos. Desde a década de 1970, a taxa média de fecundidade éinferior ao nível estimado para a renovação da população. Em 2025, um de cada quatro habitantes terá mais de 60 anos,tendência que agrava a falta de mão-de-obra e eleva os custosda assistência social e médica, que é gratuita em Cuba.

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