Exército chileno protege agressores da era Pinochet, diz Anistia

As Forças Armadas do Chilecontinuam a impedir que seus integrantes sejam julgados peloscrimes de assassinato e tortura praticados durante a brutalditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), afirmou a AnistiaInternacional nesta quarta-feira. Alguns oficiais militares da época de Pinochet continuam aocupar importantes cargos, enquanto outros ingressaram napolítica e prejudicam os esforços para punir os responsáveispelos abusos, disse Sergio Laurenti, diretor-executivo daAnistia no Chile. "Claramente, houve algum tipo de blindagem institucionalrealizado pelas Forças Armadas a fim de proteger seus membros",afirmou Laurenti, antes do lançamento do relatório anual dogrupo de defesa dos direitos humanos. "O principal motivo para dizermos isso é que há oficiais emaltos postos das Forças Armadas que são responsáveis por atosde violação dos direitos humanos", acrescentou. Cerca de 3.000 pessoas foram mortas durante o governo dePinochet e outras 28 mil sofreram torturas. A maior parte dasvítimas seriam ativistas de esquerda. Laurenti destacou o fato,por exemplo, de a Marinha não reconhecer a prática de tortura abordo do navio de treinamento Esmeralda, no começo daditadura. Os grupos de defesa dos direitos humanos e os familiaresdas vítimas afirmam que a Justiça caminha muito lentamente. Pouco mais de 20 autoridades das forças de segurança foramcondenadas por crimes do tipo até agora, quase duas décadasapós o fim da ditadura. Cerca de 500 encontram-se sobinvestigação. Laurenti disse que os militares tornaram-se mais abertos àmedida que oficiais mais bem treinados e favoráveis àdemocracia galgaram postos na carreira, mas ressaltou queoutros ainda tentavam impedir o trabalho da Justiça e que haviaum certo grau de "negligência." "O governo diz que está deixando a Justiça seguir seuritmo. Na prática, o governo poderia empenhar-se mais. Noentanto, ninguém deseja ter essa batata quente nas mãos",afirmou. Uma lei de anistia de 1978 aprovada por Pinochet a fim deproteger os membros das Forças Armadas, policiais e integrantesdos serviços secretos da possibilidade de serem julgadoscontinua em vigor. No entanto, a Suprema Corte do país, nosúltimos anos, autorizou a abertura de vários processos. Na segunda-feira, quase cem ex-soldados e ex-membros dapolícia secreta do regime Pinochet tiveram mandatos de prisãoexpedidos, na maior operação do tipo já ocorrida no Chile. Essas pessoas são acusadas de participar do sequestro e doassassinato de 42 pessoas como parte da "Operação Colombo",durante a qual 119 opositores da ditadura morreram. Pinochet morreu em 2006. O ditador chegou a ser acusadoformalmente, mas nunca foi levado a julgamento completo porcausa dos crimes cometidos durante o governo dele. Cerca de 200mil pessoas fugiram do Chile para o exílio enquanto o generalesteve no poder. Advogados dos membros das Forças Armadas investigadosafirmam que tudo não passa de uma caça às bruxas. "Esses julgamentos são totalmente ilegais porque a lei deanistia ainda continua em vigor", afirmou Jorge Balmaceda,advogado que defende, entre outros, Pedro Espinoza,ex-comandante da polícia secreta chilena.

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