Exército colombiano acha prova de vida de reféns das Farc

Governo anuncia a prisão de três guerrilheiros que levavam vídeos e cartas, inclusive de Ingrid Betancourt

Efe,

30 de novembro de 2007 | 05h31

O Exército e a Promotoria da Colômbia anunciaram nesta sexta-feira, 30, que foram encontradas provas de que vários reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entre eles Ingrid Betancourt e os três americanos em seu poder, ainda estão vivos. A apreensão de vídeos e cartas foi feita após a detenção de três membros das redes urbanas da guerrilha, em Bogotá, na noite de quinta.   Veja também:  Colômbia sugere França como mediadora  Assista às imagens de Betancourt e outros reféns (BBC)  Especial: Tensão na América do Sul    O alto comissário para a Paz na Colômbia, Luis Carlos Restrepo, anunciou a captura dos rebeldes e a apreensão do material, que está à disposição das autoridades judiciais. Além de ler um comunicado na Casa de Nariño, sede da Presidência, Restrepo apresentou um vídeo "doloroso e impactante" com imagens de Ingrid Betancourt e de outros seqüestrados. A gravação não tem som.   A ex-candidata presidencial aparece sentada, com as mãos sobre os joelhos, abatida e olhando para o chão. As Farc não divulgavam provas de vida de Betancourt há mais de quatro anos, desde 30 de agosto de 2003.   O alto comissário explicou que a detenção de "três pessoas, aparentemente membros das redes urbanas em Bogotá das Farc" aconteceu às 18h30 de quinta-feira (21h30 em Brasília). Eles estavam com cinco vídeos, "quatro deles dos dias 23 e 24 de outubro" e outro de 1 de janeiro, além de sete cartas de alguns dos seqüestrados e uma memória digital, cujo conteúdo não foi revelado.   O vídeo que mostra Betancourt, seqüestrada em fevereiro de 2002, tem data de 24 de outubro de 2007, assim como o de dois cabos da Polícia, Juan Carlos Buitrago e Jairo Durán. Outra gravação, de 23 de outubro, mostra o sargento Erasmo Romero e o tenente Dianel Rodríguez. Os três reféns americanos, Keith Stansell, Marc Gonsalves e Thomas Howes, além de outros oito policiais e militares e do político Luís Eladio Pérez, aparecem num vídeo de 1 de janeiro.   Uma das sete cartas encontrada foi escrita por Betancourt para sua mãe, Yolanda Pulecio. As outras seis são endereçadas também por reféns das Farc a seus parentes, ao chefe militar da guerrilha, Jorge Briceño, e ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.   Todo o material "por se tratar de provas judiciais" segundo Restrepo, foi levado para análise e está sob custódia das autoridades judiciais. O comissário acrescentou que, "por razões estritamente humanitárias", o material foi posto à disposição das famílias. Serão enviadas cópias à França e aos Estados Unidos, por causa de Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, e dos reféns americanos.   "Esperamos que estas provas de sobrevivência aliviem em parte o sofrimento das famílias dos seqüestrados", disse Restrepo. Ele acrescentou que "logo que o governo tomou conhecimento das provas achou conveniente entregá-las".   O alto comissário disse que o governo colombiano "não tem maiores informações sobre as pessoas capturadas" nem sabe se a intenção dos rebeldes era entregar as provas à senadora Piedad Córdoba ou a Chávez, que negociavam com as Farc a libertação dos seqüestrados.   "Primeiro passo"   Em entrevista à BBC Mundo Hoy, Astrid Betancourt, irmã da refém, disse que "obviamente, para nós é extremamente reconfortante ver uma prova de vida de minha irmã Ingrid, já que estamos esperando esta prova há quatro anos".   Astrid disse que, além da emoção, o vídeo deixou a família preocupada porque "não é um vídeo em que ela fala muito animada, é mais uma foto, em que ela aparece triste, olhando para o chão".   A irmã da ex-candidata presidencial acrescentou: "Queremos agradecer ao presidente (da Venezuela Hugo) Chávez, e à senadora (colombiana) Piedad Córdoba, porque foi graças à mediação deles que se pôde obter este compromisso com as Farc , que nos fez ter esta prova de vida".   Em Paris, o vídeo foi recebido como "uma grande notícia" e "um primeiro passo" pelo governo francês, segundo o porta-voz presidencial, David Martinon. "É um primeiro passo importante. O presidente Nicolas Sarkozy continua determinado a conseguir a libertação de todos os reféns", afirmou Martinon. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, considerou animadora a notícia. "Agora que sabemos que está viva, nós devemos lutar de maneira implacável para obter a sua libertação", disse Sarkozy a jornalistas na cidade de Nice.   No dia 21, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, suspendeu a mediação. Chávez reagiu "congelando" as relações com a Colômbia.  Desde agosto, Chávez vinha atuando como mediador entre o governo da Colômbia e as Farc na busca de um acordo humanitário que permitisse que 45 reféns fossem soltos em troca da libertação de cerca de 500 integrantes do grupo guerrilheiro que estão presos.   Uribe disse que tomou a decisão de encerrar a mediação porque Chávez teria falado por telefone com o comandante do Exército colombiano, Mario Montoya, desrespeitando assim um acordo entre os dois, segundo o qual o líder venezuelano não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar colombiano.

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