Exército colombiano mata número dois das Farc

Raúl Reyes é morto em combate em território equatoriano; governo diz que vizinho foi informado da operação

Agências internacionais,

01 de março de 2008 | 11h35

Raúl Reyes, o segundo homem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi morto pelo Exército colombiano nas últimas horas, segundo afirmou neste sábado, 1, o ministro da Defesa Juan Manuel Santos.   Veja também: Equador anuncia investigação sobre combates Chávez propõe grupo para mediar com Farc Uribe pede que Farc libertem Ingrid Betancourt Uribe felicita Forças Armadas por missão que matou de Reyes Farc recebem ajuda brasileira, diz ex-refém Perfil de Raúl Reyes, o 'número dois' das FarcPor dentro das Farc  Reféns colombianos: do seqüestro à liberdade   Juan Manuel Santos afirmou que Reyes foi morto dentro do território equatoriano, a 1.800 metros da fronteira com a Colômbia. O ministro alegou, porém, que o ataque partiu do território colombiano e que o presidente equatoriano, Rafael Correa, foi informado da operação pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. No entanto, ainda não é claro se a comunicação foi feita antes ou depois do ataque.   Correa ordenou uma investigação militar sobre o conflito que matou Reyes. Além disso, o equatoriano lamentou a morte de colombianos no conflito com a guerrilha e reiterou que está disposto a mediar os diálogos para encontrar uma saída pacífica para o conflito armado na Colômbia.   Aeronaves da inteligência teriam detectado uma comunicação por satélite feita pelo líder rebelde, que permitiu a sua localização exata. Segundo o ministro, a Força Aérea colombiana atacou o acampamento sem violar o espaço aéreo do Equador. Após o ataque, militares colombianos entraram no país vizinho para garantir a segurança da área e neutralizar o inimigo até a chegada de autoridades equatorianas.   Santos afirmou que os corpos de Reyes, de Guillermo Enrique Torres, conhecido como Julián Conrado, e de outros 15 guerrilheiros foram levados para o lado colombiano para evitar que a guerrilha tentasse recuperá-los. Um soldado também foi morto na operação.   A morte do líder guerrilheiro, considerado o rosto público e um dos principais porta-vozes da facção,   um dos triunfos mais importantes na política de segurança do presidente colombiano, Álvaro Uribe, que conta com o apoio dos Estados Unidos e mantém desde 2002 uma ofensiva contra as Farc.   Reyes, cujo verdadeiro nome era Luis Edgar Devia, foi um antigo dirigente sindical que entrou para a guerrrilha colombiana há quase três décadas e cuja recompensa por informações que ajudassem em sua captura ou morte era de mais de US$ 2,7 milhões. O Departamento de Estado dos EUA oferecia US$ 5 milhões por pistas que levasse ao líder, assim como para os outros seis membros do Secretariado das Farc, incluindo Manuel Marulanda Vélez, o Tirofijo, número um do grupo.   Segundo o jornal El Tiempo, o guerrilheiro foi o principal negociador das Farc durante os frustrados diálogos de paz com o governo do ex-presidente colombiano Andrés Pastrana entre 1998 e 2002. Durante o processo, Reyes participou com outros membros da guerrilha de um giro por vários países europeus. Ele ainda participou o único encontro de líderes da facção com autoridades dos Estados Unidos na Costa Rica, em 1997.   No último ano, militares mataram quatro importantes dirigentes rebeldes, entre eles Martín Caballero, Tomás Medina Caracas e Jota Jota. A morte do comandante rebelde acontece três dias depois de o grupo ter entregue quatro ex-congressistas que eram mantidos reféns há mais de seis anos a uma missão humanitária liderada pela Venezuela.   Texto alterado às 13h57 para acréscimo de informações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.