Exército descarta que ataque das Farc tenha vindo do Equador

General diz que guerrilheiros atacaram Exército colombiano com cilindros bomba, deixando um soldado ferido

Efe

26 de abril de 2008 | 20h49

O Exército do Equador assegurou neste sábado, 26, que mantém um controle total da fronteira com a Colômbia e descartou supostos ataques das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), contra militares colombianos, a partir de território equatoriano. Veja também:Exército colombiano mata número dois das FarcPor dentro das Farc Entenda a crise na América Latina   Esse é o mais recente incidente na fronteira de 586 quilômetros entre as duas nações, que mantêm suspensas suas relações diplomáticas desde março, após as forças colombianas entrarem no território equatoriano para atacar um acampamento das Farc, o que agravou as tensões bilaterais.  O general Fabián Narváez, chefe da IV Divisão do Exército Amazonas, disse que unidades militares equatorianas se encontram na localidade fronteiriça de Puerto Nuevo, a partir de onde supostamente as Farc atacaram tropas colombianas, segundo versões das autoridades desse país. "Descarto essa situação", realçou Narváez, após insistir que o Exército do Equador tem pleno controle na zona fronteiriça.  Segundo fontes militares da Colômbia, tropas militares foram supostamente atacadas pelas Farc, a partir do território equatoriano com cilindros de bomba, que feriram um soldado na localidade de Teteyé, vizinha da equatoriana de Puerto Nuevo. De acordo com essa versão, as tropas colombianas foram atacadas quando prestavam assistência a um grupo de engenheiros em atividades de prospecção petrolífera, em um ponto da selva do departamento de Putumayo, fronteiriço com a província equatoriana de Sucumbíos. Narváez descartou que esse ataque tenha acontecido a partir do Equador, e insistiu que unidades de sua divisão controlam esse setor fronteiriço e não registraram atividades do grupo irregular colombiano. "Nós estamos patrulhando o setor e estamos desde ontem em Puerto Nuevo, que é de onde sai a informação", precisou Narváez. "Nossas tropas equatorianas estão à frente e desde ontem (sexta-feira) escutamos disparos de armas automáticas, mas vindas do interior do território colombiano", destacou Narváez, ressaltando que a vigilância e o controle da zona se realizam "por ar, por terra e pelo rio" que serve de divisória no local. Também o departamento de imprensa da IV Divisão de Exército Amazonas informou em comunicado que desde 13 de abril operações militares são desenvolvidas na fronteira com a Colômbia. As operações denominadas "Cofán II, Soberania V e Barquilla I, na fronteira norte, ao longo dos rios San Miguel e Putumayo", se concentram no "controle de vias, patrulhas e blitz fluviais, além do reconhecimento terrestre nos setores do El Palmar e El Porvir". "Estas ações estiveram acompanhadas de reconhecimento aéreo com helicópteros de ataque", precisou o texto oficial. Além disso, afirmou que na "sexta-feira, 25 de abril, enquanto unidades da IV Divisão de Exército realizavam uma operação de controle de fronteiras, na área de Puerto Nuevo e Los Diamantes, escutaram que em território colombiano, em Teteyé, ocorreram detonações e disparos de armas automáticas".   DiplomaciaA Colômbia denuncia há vários anos que as Farc utilizam o território do Equador para preparar ataques contra as Forças Armadas e para fugir da perseguição militar, em meio ao conflito interno de mais de quatro décadas com milhares de mortos. Mas o presidente do Equador, Rafael Correa, que se nega a classificar as Farc como uma organização terrorista e que se declara neutro diante do conflito, questiona a falta de controle e a escassa presença militar da Colômbia na fronteira entre os dois países. O governo de Quito rompeu relações diplomáticas com Bogotá depois que militares colombianos bombardearam uma região da selva equatoriana, um ataque que matou um dos líderes das Farc Raúl Reyes. Correa classificou esse ataque, em que também morreram outras 24 pessoas e que não foi autorizado, como um massacre que violou a soberania de seu país. Ainda que a Organização dos Estados Americanos (OEA) tenha intercedido para restabelecer as relações diplomáticas, Correa mantém uma atitude crítica em relação à Colômbia e a Uribe. O mandatário equatoriano disse nesta semana que estava disposto a reconhecer as Farc como uma força beligerante, se liberarem seus reféns e suspenderem seus ataques, o que provocou uma enérgica reação de Uribe e uma nota de protesto da Chancelaria da Colômbia.

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