Exército peruano combate vandalismo em área de terremoto

Roubos e saques se somam a frio, falta de água e luz enfrentados por peruanos vítimas de tremor da quarta-feira

Michelle Marinho, BBC

17 de agosto de 2007 | 11h11

O Exército peruano enviou 200 soldados para o sul do país para combater os atos de vandalismo na região que já enfrenta diversas dificuldades para se recuperar do forte terremoto que a atingiu na quarta-feira.   - Veja também:  Veja as imagens Câmeras flagram momento do abalo  Número de mortos em terremoto passa de 500 ONU alerta para aumento do número de vítimas Ajuda tem dificuldade para chegar a Pisco Brasileiro relata momentos do terremoto 'A terra se moveu como nunca' Os piores terremotos na América Latina O abastecimento de energia elétrica ainda não foi normalizado, falta água e já começou a escassez de comida. Os hospitais da região estão lotados e os feridos mais graves são trazidos de helicóptero para a capital Lima. Um caminhão frigorífico foi saqueado na manhã desta sexta-feira por um grupo de moradores em Pisco. "Tivemos que fazer isso, não chega a ajuda do governo. Não temos outra saída. Temos fome", disse um dos saqueadores. O medo da violência também aumentou depois que 600 detentos, entre eles seqüestradores, fugiram quando o muro da prisão desabou por causa do terremoto. O ministro do Interior, Luis Alva Castro, afirmou que a população não deve se preocupar porque a maioria dos presos já foi capturada. Em Pisco, uma das cidades mais atingidas pelo terremoto da quarta-feira no Peru, os moradores enfrentaram o frio e passaram a segunda noite ao relento. Alguns desabrigados foram levados para o estádio da cidade. A principal praça local, ponto de encontro dos moradores no fim de semana, agora é usada como local para identificar os corpos das vítimas. Dois dias depois do terremoto, o Corpo de Bombeiros trabalha sem parar, mas as esperanças de encontrar sobreviventes diminuem à medida que o tempo passa. Em Ica, as equipes de resgate continuam os esforços na igreja que desabou durante uma missa. A estimativa é que ainda haja 40 pessoas entre os escombros. As aulas nos colégios da região continuam suspensas. A dificuldade de resgate é grande. A estrada Pan-Americana, que corta todo o continente, está com rachaduras profundas, o que impede a chegada imediata das equipes e dos caminhões com alimentos e remédios por terra. A ajuda está chegando pelo aeroporto, um dos únicos lugares iluminados da região, ou em barcos. O presidente da República, Alan García, vem recebendo duras críticas. Apesar de o Peru se encontrar em constante atividade sísmica, alguns especialistas acham que o governo não estava preparado para enfrentar um terremoto como o de quarta-feira. Em Lima, as ruas estão tranqüilas, muito diferente do que foi visto na quarta-feira à noite. As pessoas já voltaram para suas casas, embora a maioria ainda esteja em pânico e tenha medo de que os tremores secundários sejam fortes. Nesta sexta-feira começa a campanha para a ajuda aos desabrigados do sul do Peru. Em Lima, a Defesa Civil vai receber roupas, alimentos não perecíveis e remédios.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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