Javier Galeano/AP
Javier Galeano/AP

Exilados cubanos cobram Obama por repressão às Damas de Branco

Mulheres e mães de dissidentes foram agredidas enquanto protestavam em Havana

Efe,

17 de março de 2010 | 22h30

Duas organizações do exílio cubano nos Estados Unidos repudiaram nesta quarta-feira, 17, a agressão contra trinta integrantes da entidade Damas de Branco, qualificada pelos exilados de "um novo ato de barbárie da ditadura castrista".

 

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A influente Fundação Nacional cubano-americana (FNCA) exigiu uma resposta enérgica da comunidade internacional após a "agressão brutal" contra as Damas de Branco por "tropas organizadas pelo regime castrista, combinadas com agentes uniformizados da polícia e do Ministério do Interior".

 

"Especialmente, reclamamos uma resposta firme e solidária da administração do presidente Barack Obama, cujo silêncio nestes dias trágicos para o povo cubano nega sua promessa de apoiá-lo em seu chamado pela liberdade", disse a organização com sede em Miami.

 

As Damas de Branco, familiares dos 75 opositores presos na onda repressiva de 2003 conhecida como a "Primavera Negra", assistiam nesta quarta a uma missa em uma igreja de um bairro nos arredores de Havana quando foram colocadas à força dentro de dois ônibus.

 

Em conversa por telefone com a FNCA, Berta Soler, uma das líderes da associação de mulheres dissidentes e esposa do prisioneiro de consciência Ángel Moya Acosta, denunciou que cerca de "quinhentos partidários da ditadura" as agrediram de forma verbal e física, "as arrastando pelo chão e desferindo golpes indiscriminadamente".

 

"Havia mais de 300 pessoas organizadas pelo Governo, mas havia também mais de 200 policiais e agentes uniformizados do Ministério do Interior", relatou Soler.

 

"Tinham dois ônibus para nos transportar à força. Muitas mulheres foram arrastadas, deram golpes, puxões de cabelo, mas isso quem fez não foi o governo, mas sim a polícia uniformizada do Minint (Ministério do Interior) e também mulheres da polícia", informou a ativista.

 

Dez integrantes das Damas de Branco estão em um hospital em consequência do "brutal espancamento, entra as quais se destaca Reyna Tamayo Danger, a mãe do prisioneiro de consciência recentemente falecido em greve de fome, Orlando Zapata Tamayo", a qual "tinha sua blusa totalmente manchada de sangue", denunciou Soler.

 

A opositora, no entanto, negou que o grupo vá ceder às pressões do governo cubano. "Não vamos nos deter. Eles pensam que com isso nos vão meter medo, mas estamos mais fortes do que na segunda, do que ontem, e, se temos que perder a vida nas ruas, vamos perdê-la; a única coisa que nos parará serão nossos homens livres em suas casas", disse Soler à FNCA.

 

Apelo

 

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) pediu ao governo de Cuba que liberte o que classifica como "prisioneiros de consciência" - pessoas que são perseguidas por motivos como raça, cor, religião, orientação sexual ou crenças, entre outros, desde que não tenham usado violência.

A organização pede ao governo cubano que revogue leis que restrinjam a liberdade de expressão, o direito de associação e pede a libertação de todos os dissidentes detidos injustamente pelas autoridades.

A AI ainda pediu ao presidente cubano, Raúl Castro, que permita a entrada de organizações independentes para monitorar a situação dos direitos humanos no país e convide especialistas da ONU para visitar Cuba.

 

Greve de fome

 

Um dia depois da morte de Zapata, outro prisioneiro, o jornalista Guillermo Fariñas, iniciou uma greve de fome, pedindo a libertação dos 26 prisioneiros políticos mais vulneráveis do regime.

 

Ele afirma que não está tentando derrubar o governo ou buscar maior liberdade de expressão no país.

 

O governo, no entanto, respondeu que não vai ceder ao que chamou de "chantagem".

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