Exilados cubanos criticam decisão da UE de retirar sanções

Grupos classificaram de 'aceitável' o reconhecimento outorgado à oposição interna da ilha

Efe,

20 de junho de 2008 | 06h14

Dois grupos de exilados cubanos em Miami criticaram nesta quinta-feira, 19, a decisão da União Européia (UE) de retirar as sanções diplomáticas a Cuba, embora tenham chamado de "aceitável" o reconhecimento outorgado à oposição interna da ilha. Carlos Alberto Montaner, presidente da União Liberal Cubana, disse à Agência Efe que "teria preferido que fossem mantidas as sanções". No entanto, "acho que o compromisso conseguido é aceitável na medida em que se defendem claramente os direitos e um espaço político para a oposição democrática", apontou. "O mais importante é que no vocabulário da declaração seja reconhecida a oposição muito além, a chama, como deve ser, de os democratas e é pedido o respaldo e a solidariedade para os democratas da oposição. Acho que isso é o que é necessário resgatar dessa declaração", afirmou o escritor cubano. Orlando Gutiérrez, secretário nacional do Diretório Democrático Cubano (DDC), qualificou a resolução atingida nesta quinta pelos 27 ministros de Assuntos Exteriores da UE como uma "irresponsabilidade e claudicação por parte do Governo espanhol". A UE impôs medidas diplomáticas a Cuba depois que 75 opositores foram condenados a penas de até 28 anos de prisão na chamada "primavera negra" de 2003 em julgamentos sumaríssimos. No entanto, Gutiérrez também considerou que embora a curto prazo a decisão adotada pareça uma "vitória para o Governo cubano, a longo prazo acabará em uma derrota para o regime, porque a UE reconheceu a oposição democrática como atores legítimos com os quais Cuba tem que lidar em um diálogo com a UE". "Acho que a remoção das sanções é inaceitável, mas acabará como um bumerangue para o Governo cubano", afirmou. O DDC, a União Liberal Cubana e outras organizações do exílio cubano pediram na terça-feira aos 27 países do bloco que mantivessem as sanções diplomáticas contra o Governo de Cuba até que uma mudança democrática na ilha caribenha ocorresse, os direitos humanos fossem respeitados e os presos políticos fossem libertados.

Mais conteúdo sobre:
CubaUEsanções

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.