Exilados cubanos de Miami têm reação tímida à saída de Fidel

Os exilados cubanos presentes emMiami manifestaram na terça-feira um discreto alívio por contada renúncia de Fidel Castro, mas disseram que Cuba já havia sedescolado de seu líder de tantos anos e que as mudanças seriaminevitáveis. A notícia de que Fidel não procurará regressar aos cargosde presidente e de chefe das Forças Armadas do país nãoprovocou celebrações nas ruas de Little Havana, o berço dacomunidade localizado a oeste do centro de Miami e onde morammuitos dos 650 mil dissidentes cubanos presentes na cidade. "É muito bom que Fidel renuncie. Mas se Fidel morresse,seria ainda melhor", afirmou Juan Acosta, um cubano que saiu dailha caribenha em 1980, ao comprar um jornal na Calle Ocho, arua principal de Little Havana. "O sistema de governo dali está quase no fim. A gente estáassistindo ao final dele", disse Acosta, que, como muitoscubanos de Miami, possui familiares na ilha, no caso dele a mãee uma irmã. "A ditadura está acabada." A Fundação Nacional Cubano-Americana, Canf, a principalorganização anti-Fidel no exílio, disse que a renúncia do lídercubano "abre um novo capítulo na história da revolução e nahistória do povo cubano". "Depois de 50 anos, não há mais o regime de um homem só emCuba porque os sucessores dele não conseguirão manter o mesmopoder e a mesma posição que ele deteve durante os últimos 50anos", afirmou o presidente da Canf, Francisco "Pepe"Hernandez. Fidel, 81, disse que não regressaria ao cargo de chefe deEstado 49 anos depois de ter tomado o poder em uma revoluçãoarmada responsável por levar dezenas de milhares de cubanos aoexílio. POUCA EMPOLGAÇÃO O dirigente cubano não aparece em público desde que sesubmeteu a uma cirurgia no abdômen, há quase 19 meses. As ruas de Little Havana foram tomadas por ruidosasmanifestações quando Fidel anunciou, em julho de 2006, queestava entregando o poder temporariamente a Raúl, irmão dele. Mas nos restaurantes Versailles e La Carreta, onde muitosexilados e ex-autoridades cubanos de mais idade costumam seencontrar para falar sobre política, não havia na terça-feiraum clima de empolgação. Alguns motoristas tocavam a buzina de seus carros quandoviam furgões de equipes de TV. Rafael del Castillo, que veio para os EUA em 1966, disseter esperanças de que o sucessor de Fidel, Raúl, comece aadotar mudanças imediatamente, começando por libertar osprisioneiros políticos. "Ele precisa começar com a libertação das pessoas presaspor motivo nenhum", afirmou Del Castillo. "O irmão delecomeçará a abrir (Cuba) para o mundo, a abrir parte do setorcomercial para o mundo. Essa é a única alternativa." Um cubano que disse se chamar Manolo afirmou ter chegadoaos EUA nas primeiras ondas de exilados, em 1961. Ele contouter realizado uma reunião de três horas com Fidel Castro em1959 e disse que o líder hoje convalescente continuaria a terinfluência sobre os rumos de Cuba. "Esse é um homem que está com mais de 80 anos e doente,cuja cabeça está fraca. Mas ele ainda consegue pensar. Eleainda tentará dizer a Raúl certas coisas", afirmou. "Acho queFidel continuará a ser importante."

JIM LONEY, REUTERS

19 de fevereiro de 2008 | 12h32

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