Expulsão de agência não implica rompimento com EUA, diz Morales

A Bolívia não romperá relaçõesdiplomáticas com o governo norte-americano, afirmou naquinta-feira o presidente boliviano, Evo Morales, ainda quetenha celebrado a decisão dos cocaleiros de expulsar da regiãode Chapare (no Departamento de Cochabamba, centro do país) aAgência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). O dirigente deu essa declaração enquanto meios decomunicação da Bolívia informavam que os funcionários daagência norte-americana haviam saído de Chapare naquarta-feira, acatando uma ordem de sindicatos de cocaleiros ede autoridades de municípios da região. Naquele dia, os funcionários da Usaid teriam abandonadovoluntariamente Chapare a fim de evitar choques ou outrosepisódios violentos depois da decisão dos cocaleiros deexpulsar a agência sob a acusação de que ela daria apoio aatividades contra o governo de Morales. "Nós nunca iremos romper relações com ninguém porque somosda cultura do diálogo. Vamos ter relações com todo mundo, massob a condição de que haja respeito mútuo entre os governos",afirmou Morales referindo-se aos vínculos entre a Bolívia e osEUA, tensos desde que o atual presidente chegou ao poder, em2006. Morales, que também foi líder cocaleiro na região deChapare e que assistiu a uma manifestação de agricultores nodistrito de Chuquisaca (sul), afirmou serem "evidentes" asatividades conspiratórias dos EUA contra seu governo. "Saúdo a decisão do movimento camponês. Agora sinto que, setudo der certo, Chapare não será apenas um território livre doanalfabetismo mas também do imperialismo norte-americano",disse. Os cocaleiros, adotando o discurso antiimperialista deMorales, acusaram a Usaid de dar apoio a atividades da oposiçãodireitista com o pretexto de combater o narcotráfico. ABolívia, segundo o governo dos EUA, é o terceiro maior produtorde cocaína do mundo, depois da Colômbia e do Peru. "Não há motivo para que nos curvemos diante do império.Vocês tinham de ver os gringos atirando contra a gente em VillaTunari (Chapare). A situação estava grave. Viva a soberania,viva a dignidade", afirmou, responsabilizando pela situação osgovernos bolivianos anteriores. A Usaid, por meio de vários projetos de desenvolvimentoeconômico e social, canaliza para o Chapare parte de sua ajudaàs operações de combate às drogas, que chega a quase 100milhões de dólares anuais. "Todo o dinheiro da Usaid ia para as prefeituras (em suamaioria controladas pelos opositores). E isso fez com que sedesestabilizasse o governo. Vamos continuar com os esforços deerradicação, mas não queremos mais a Usaid", disse o prefeitode Villa Tunari, Feiliciano Mamani. (Reportagem de Ana María Fabbri)

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