Falha no metrô leva caos à capital chilena e governo se desculpa

O transporte público da capital chilena sofreu nesta sexta-feira um dos seus piores transtornos por causa de uma interrupção no serviço da rede de trens subterrâneos, saturando as linhas de ônibus e obrigando o governo a adotar medidas de contingência e a pedir desculpas.

REUTERS

14 Novembro 2014 | 20h40

A suspensão do metrô aconteceu após um corte de energia em cabos de alta voltagem que gerou um "efeito dominó" e fechou cerca de 70 estações.

"Não é uma situação normal, e gostaria de pedir desculpas aos usuários e dizer que estamos fazendo todo o possível para superar esta contingência o quanto antes", disse o ministro do Transporte, Andrés Gómez-Lobo, após uma reunião de emergência convocada pela presidente chilena.

Cerca de 300 mil usuários foram afetados pela falha no metrô. Na tarde desta sexta-feira cerca de vinte estações continuavam fechadas, e se espera que o serviço volte ao normal durante a manhã de sábado.

A presidente Michelle Bachelet demonstrou preocupação por ter se tratado de uma nova falha sistêmica do metrô em menos de três meses. Por isso, ordenou a adoção de um plano especial para os milhares de chilenos que retornavam a seus lares na tarde desta sexta-feira.

Entre as medidas de contingência, o governo disponibilizou 300 ônibus para reforçar o serviço de transporte e pediu às empresas e órgãos públicos para flexibilizarem o horário de saída dos seus funcionários.

O metrô é um dos eixos do Transantiago, um projeto de transporte público iniciado no primeiro mandato de Bachelet, entre 2006 e 2010, e no qual as linhas de ônibus que levam passageiros aos trens subterrâneos da capital têm papel fundamental.

"Fiquei sabendo (da falha) quando cheguei à estação, aí percebi que ela estava fechada. Não vou esperar os ônibus porque todos vão cheios. Vou simplesmente andar até o trabalho", disse uma das milhares de habitantes da capital que tentavam ir trabalhar.

O Transantiago virou uma pedra o sapato da mandatária, já que, apesar dos milhões de dólares investidos para reforçá-lo nos últimos anos, a demanda crescente evidenciou deficiências graves.

O metrô, que passa por um ambicioso plano de expansão, sofreu cinco grandes falhas nos últimos doze meses, algo que até há alguns anos era muito incomum no serviço, muito valorizado entre os cidadãos de Santiago.

“O metrô e eu pessoalmente estou disposto a assumir qualquer responsabilidade”, declarou o presidente da estatal, Aldo González, depois de participar da reunião de emergência.

Bachelet afirmou que irá “insistir para que se realizem os investimentos que forem necessários para garantir um sistema de transporte estável e de qualidade que uma cidade como Santiago exige”.

(Reportagem de Antonio De la Jara)

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